BRASIL ARTICULA ALIANÇA MUNDIAL “PRÓ-FAMÍLIA” COM GOVERNOS CONSERVADORES

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BRASIL ARTICULA ALIANÇA MUNDIAL “PRÓ-FAMÍLIA” COM GOVERNOS CONSERVADORES
Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves – Foto Internet

Brasília costura bancada de “países amigos da família” na ONU e Itamaraty já circulou informação para seus postos.

Uol Noticias | Jamil Chade – Em evento organizado pelo governo da Hungria, na semana passada, ministra Damares Alves insiste que “agora o Brasil é uma nação pró-família” e convoca governos a se unir à iniciativa.

GENEBRA – O governo brasileiro começa a costurar uma aliança de países que defendam posturas conservadoras com o objetivo de influenciar a agenda de direitos humanos. A ideia é de modificar a forma pela qual assuntos como educação sexual e gênero tem sido tratado nos últimos 25 anos na ONU, OMS e outros organismos internacionais, além de “resgatar valores”.

A ofensiva tem sido visto nos bastidores com entusiasmo por alguns. Mas com preocupação por outros governos que temem que tal iniciativa seja um lobby para tentar se contrapor à agenda progressista que, nas últimos décadas, ampliou direitos a minorias no direito internacional, inclusive de grupos LGBT. O projeto ainda é interpretado como um possível ataque contra consensos formados desde a década de 90, fortalecendo os direitos de mulheres e meninas.

Na semana passada, em Budapeste, a ministra de Direitos Humanos, Damares Alves, fez um apelo por adesões à iniciativa. Ela aproveitou sua participação em um evento sobre “demografia” organizado por Viktor Orbán, o líder nacionalista e conservador húngaro, para convocar os governos a formar um grupo de “amigos da família”.

Segundo ela, seu objetivo na ONU seria “defender e resgatar os valores que alguns setores tendem muitas vezes a ignorar”. Neste momento do discurso, a ministra foi aplaudida por parte daqueles que estavam no evento.

Ao fazer sua apresentação, a ministra indicou que estava representando “um homem incrível que quer trazer o Brasil ao mundo como um país pró-família e pró-vida”, numa referência a Jair Bolsonaro. “Agora o Brasil é uma nação pro-família”, disse.

Em dez minutos de um discurso sobre tudo o que o governo tem feito para defender a família, Damares apontou que o Brasil dirá “um não sonoro contra a ideologia de gênero”. Segundo ela, Bolsonaro venceu a eleição por ter prometido “investir na família”.

Mas a iniciativa não se limitou ao discurso de Damares. Diplomatas confirmaram ao UOL que algumas missões do Brasil já receberam telegramas com a informação sobre a intervenção da ministra.

A ideia é de que, com uma guinada conservadora em diferentes locais, propostas para “defender a família” poderiam ganhar a adesão. Na Europa, Hungria, República Tcheca e Polônia poderiam seguir esse caminho.

O projeto ainda contaria com o apoio do governo de Donald Trump e aposta que, nos próximos anos, eleições serão marcadas pelo avanço de uma ala conservadora em diversas regiões do mundo.

Nos últimos três meses, a diplomacia modificou de forma profunda a posição do país no que se refere a temas de direitos humanos. Na ONU, passou a vetar termos como “gênero” nas resoluções e se aliou a governos ultraconservadores do Oriente Médio para tentar barrar documentos que tratem de “educação sexual”.

Em todos os fóruns que participa, o governo tenta trocar dos textos frases como “igualdade de gênero”. Em seu lugar, existiria apenas a “igualdade entre homens e mulheres”. Na origem da mudança está a percepção de que apenas existe o sexo biológico.

A posição deixou muitos governos ocidentais consternados, principalmente vindo do Brasil, um país que por anos militou por uma transformação dos textos internacionais para garantir a proteção aos grupos LGBT.

Entre delegações estrangeiras, a dúvida que paira é se a iniciativa brasileira terá uma relação com um grupo já existente de países árabes que também se auto-titulam de “defensores da família”. O bloco é liderado pelo Egito e reúne alguns dos regimes mais conservadores do Oriente Médio e do mundo islâmico.

Ao saber das novas posições do Brasil, em julho, o governo do Egito procurou diplomatas brasileiros para acenar com a possibilidade de uma adesão do Itamaraty ao bloco árabe.

Acesso negado

Em seu documento preparado sobre os compromissos que quer assumir no Conselho de Direitos Humanos da ONU para um eventual novo mandato, o governo não citou uma só vez o termo “LGTB” e nem “homossexuais”.

No Brasil, ONGs ainda solicitaram acesso aos documentos do Itamaraty sobre o assunto, o que foi negado. Deputados do PSOL também protocolaram pedidos oficiais para ter acesso às políticas adotadas pela chancelaria e sua argumentação.

LIQUIDAÇÃO | PROJETO APOIADO PELO GOVERNO AUTORIZA VENDA DE 25% DAS TERRAS PARA ESTRANGEIROS

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LIQUIDAÇÃO | PROJETO APOIADO PELO GOVERNO AUTORIZA VENDA DE 25% DAS TERRAS PARA ESTRANGEIROS
Legislação que trata da venda de terras para estrangeiros foi elaborada em 1971, durante a ditadura militar / Marcelo Camargo/Agência Brasil

Proposta do senador Irajá Abreu (PSD) coloca em risco a soberania e a segurança alimentar

Juca Guimarães | Brasil de Fato | São Paulo (SP) – O Projeto de Lei (PL) 2.963/2019, que permite a venda de terras para investidores estrangeiros, pode ameaçar a soberania nacional e impactar o preço dos alimentos. Essa é a avaliação de especialistas sobre a proposta liderada pelo senador Irajá Abreu (PSD-TO), que integra a bancada ruralista e é filho da senadora e ex-ministra Katia Abreu (PDT-TO).

Se aprovado, o PL autorizará a venda de até 25% do território brasileiro a pessoas de outra nacionalidade. A área que se tornaria “negociável” – 2,12 milhões de quilômetros quadrados – equivale a duas vezes a região Sudeste.

Durante a campanha presidencial de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro (PSL) disse ser contrário à venda de terras para estrangeiros. Depois de eleito, o capitão reformado não se manifestou sobre o tema. Entidades ligadas ao agronegócio, no entanto, anunciaram que a abertura desse mercado poderia gerar receitas de R$ 50 bilhões – estimativa que parece ter influenciado a concepção dos governistas sobre o tema. Tereza Cristina, ministra da Agricultura, já se posicionou favoravelmente à medida. O projeto também é visto com bons olhos pela Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), base de sustentação de Bolsonaro na Câmara e no Senado, e por ministros de orientação liberal, incluindo Paulo Guedes, da Economia.

Em abril, o deputado Darcísio Persondi (MDB-RS), vice-líder do governo na Câmara e um dos membros mais ativos da bancada ruralista, declarou: “O nosso governo vai apoiar sim a venda de terras para o capital estrangeiro, queira a oposição ou não queira”.

A proposta está em debate na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e aguarda parecer do relator Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Riscos

“Investimentos estrangeiros significam aumento da demanda por terra e tendem a puxar os preços das terras para cima. Isto tornará a produção mais cara, afinal a terra é um componente importante dos custos de produção. Ou seja, é um erro até na lógica capitalista”, analisa Sérgio Sauer, professor da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador de temas relacionados a reforma agrária, terra e território.

A legislação que trata da venda de terras para estrangeiros foi elaborada em 1971, durante a ditadura militar. A regra estabelece critérios de vendas para dois perfis de compradores: empresas estrangeiras com sede no Brasil e empresas brasileiras com a maior parte do capital controlado por estrangeiros – pessoas físicas ou jurídicas.

A lei determina um limite de 50 mil hectares. Em 2010, no segundo governo Lula (PT), um parecer da Advocacia Geral da União (AGU) recomendou limites mais rígidos de controle para a negociação e o uso da terra por estrangeiros. Segundo a AGU, os projetos deveriam ser aprovados pelo então Ministério do Desenvolvimento Agrário, justamente para garantir que não houvesse risco à soberania nacional.

O projeto em tramitação amplia as regras para a compra legal de terras por ONGs, pessoas físicas, empresas e fundos de investimentos estrangeiros, sem restrição do uso da terra.

Para Alexandre Conceição, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra (MST), a liberação traz riscos não só para a soberania nacional, mas para a segurança alimentar dos brasileiros.

“Temos 100 milhões de hectares de terras agricultáveis e 4,5 milhões de sem-terra. Portanto, não precisa devastar, não precisa por fogo na Amazônia: basta distribuir a área para os sem-terra para a gente produzir alimentos saudáveis, protegendo a natureza, dentro da agroecologia. O programa do governo atual é desfazer tudo o que a Constituição de 1988 fez, que é garantir a função social da propriedade da terra e a soberania nacional”, afirma Conceição.

O projeto do senador Irajá também estabelece um limite máximo de 40% das terras negociadas para estrangeiros de um mesmo país. O Brasil de Fato entrou em contato com a equipe do senador Irajá questionando sobre os riscos do projeto para a soberania nacional, mas não obteve resposta.

Edição: Daniel Giovanaz

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DEVASTAÇÃO | DESMATAMENTO DO CERRADO É PROPORCIONALMENTE MAIOR QUE O DA AMAZÔNIA, DIZ PESQUISADOR

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DEVASTAÇÃO | DESMATAMENTO DO CERRADO É PROPORCIONALMENTE MAIOR QUE O DA AMAZÔNIA, DIZ PESQUISADOR
Desmatamento no cerrado é “menor em termos absolutos, mas é maior em termos acumulados” / Foto: Agência Brasil

Debate realizado em Brasília trouxe alerta sobre taxas de desmatamento do bioma e violações de direitos de moradores

Rafael Tatemoto | Brasil de Fato | Brasília (DF) – Como parte da programação do 9º Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, realizado em Brasília, pesquisadores e ativistas participaram de um debate sobre a atual situação do bioma, principalmente da perspectiva da preservação socioambiental – ou da falta dela.

Por parte dos pesquisadores, as falas se concentraram na fragilidade do cerrado e sua ausência no debate público. Donald Sawyer, pesquisador que acompanha o cerrado há 50 anos e integrante do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), qualificou a região como “bioma invisível”.

“Preocupa muito a intensificação dos problemas. Bem como a ausência ou descontinuidade de soluções para o bioma mais atacado e menos amparado. A preocupação global com o fogo na Amazônia apagou o cerrado. A Amazônia é importante, mas o cerrado também”, comparou.

Sawyer explicou que o desmatamento no cerrado, quando comparado com o amazônico, é “menor em termos absolutos, mas é maior em termos acumulados”.

Ou seja, o tamanho das áreas desmatadas no cerrado é menor, mas –  dado que o bioma é duas vezes menor que a Amazônia e que quase metade dele já foi devastado – seu peso e impacto proporcional são maiores. Para ele, dada a conjunta política, caberá aos ativistas pressionar prioritariamente governos estaduais e municipais, buscando também cooperação internacional.

::Cerrado pega fogo longe dos olhos da mídia, diz moradora de comunidade tradicional::

Anne Alencar, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), entidade que faz parte da iniciativa MapBiomas, corroborou essa visão, apontando que nos últimos 34 anos a taxa de desmatamento do cerrado foi a maior do Brasil.

“Nos últimos anos, o cerrado é o bioma mais ameaçado do Brasil, 56% do cerrado é coberto por vegetação nativa. Isso representa quase 20% da vegetação no Brasil.  O cerrado perdeu mais vegetação nativa em termos de taxa. O aumento da agricultura de larga escala foi maior”, afirmou com base em dados de geo-referenciamento coletados pelo MapBiomas.

O último ponto trazido por Alencar, a agricultura de larga escala, se desdobra em uma forte correlação nos dados: no período mencionado, o cerrado perdeu 29 milhões de hectares de terras nativas, enquanto ganhou 28 milhões de hectares destinados a atividades agropecuárias.

Edição: Rodrigo Chagas

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CÂMARA DOS DEPUTADOS ARGENTINA APROVA LEI DE EMERGÊNCIA ALIMENTAR

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CÂMARA DOS DEPUTADOS ARGENTINA APROVA LEI DE EMERGÊNCIA ALIMENTAR

AFP Noticias – A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou por unanimidade nesta quinta-feira (12) um projeto de lei alimentar de emergência que deve ser submetido à ratificação no Senado para permitir maiores recursos aos programas sociais.

Sete semanas após as eleições presidenciais, a proposta, que prevê um aumento de 50% nos itens de ajuda e assistência alimentar, equivalente a cerca de 8 bilhões de pesos (135 milhões de dólares), foi apoiada por 222 deputados, uma abstenção e sem votos contrários.

“Estamos enfrentando um problema de fome, desnutrição e uma queda acentuada de renda”, disse Daniel Arroyo, coautor do projeto e membro do partido do candidato peronista de centro-esquerda Alberto Fernández, um favorito para as eleições de 27 de outubro.

“Todos nós temos que ajudar em um contexto complicado em que muitas pessoas têm dificuldade”, acrescentou ele em seu discurso.

Desde quarta-feira, milhares de manifestantes dos movimentos sociais acamparam perto do Congresso para exigir mais atenção em programas de assistência social e em cozinhas e escolas.

A emergência econômica e social está em vigor na Argentina desde 2002, quando o país passou por sua pior crise, e deve ser renovada periodicamente. O projeto de lei atual estende a emergência até dezembro de 2022.

“O grande problema é que mantivemos a pobreza ao longo do tempo. Não temos capacidade para produzir programas econômicos”, disse a deputada Graciela Camaño, da coalizão centrista do Consenso Federal.

Segundo a FAO, Venezuela, Guatemala e Argentina foram os países da América Latina onde a fome mais aumentou durante 2018.

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SOCIEDADE | DEPUTADA EVANGÉLICA QUER PROIBIR ‘PASSINHO’ NAS ESCOLAS DE PERNAMBUCO

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SOCIEDADE | DEPUTADA EVANGÉLICA QUER PROIBIR ‘PASSINHO’ NAS ESCOLAS DE PERNAMBUCO
FOTO: ROBERTO SOARES/ ALEPE

O projeto de lei inclui qualquer modalidade de dança que cause ‘erotização das crianças’, incluindo manifestações culturais pernambucanas

Carta Capital | Alexandre Putti – O projeto de lei inclui qualquer modalidade de dança que cause ‘erotização das crianças’, incluindo manifestações culturais pernambucanas

A deputada estadual de Pernambuco Clarissa Tércio (PSC) apresentou um projeto de lei na Assembleia Legislativa do Estado para proibir dentro das escolas apresentações de danças como a do ‘passinho’  que, segundo a parlamentar, “expõem as crianças e adolescentes à erotização precoce”.

E não é só sobre o ‘passinho’. Clarissa, que faz parte da bancada evangélica da Assembleia, inclui no projeto qualquer modalidade de dança que cause ‘erotização’ das crianças, inclusive manifestações culturais pernambucanas.

Além de proibir, Clarissa pede no projeto de lei que as famílias das crianças sejam envolvidas no processo de construção do combate à erotização infantil. Porém, ela não deixa claro o que seria essa erotização infantil. Em seu Facebook, a parlamentar fez um vídeo justificando o projeto de lei ao lado de um pastor.

https://www.facebook.com/clarissatercio/videos/1636395006503545/

IFrameO ‘passinho’ foi criado nos bailes de favelas do Rio de Janeiro e mistura movimentos de outros estilos de dança, como breaking, hip hop e o frevo, com a capoeira e até o skate. Ficou bem conhecido pelo público através dos inúmeros vídeos compartilhados nas redes sociais.

O projeto de Clarissa Tércio aguarda distribuição nas comissões de Constituição e Justiça, Finanças, Administração Pública, Educação e Direitos Humanos da Assembleia.

Veja o PL na íntegra.

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CÂMARA DA SALVADOR PROÍBE CARNAVAL POR MOTIVO RELIGIOSO

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CÂMARA DA SALVADOR PROÍBE CARNAVAL POR MOTIVO RELIGIOSO
Carnaval em Salvador, Bahia (Foto: Romulo Faro)

Brasil247 – A Câmara Municipal de Salvador aprovou projeto de lei que proíbe festas de carnaval a partir das 5 horas da Quarta-feira de Cinzas. A medida pode acabar com o tradicional arrastão da Quarta-feira de Cinzas que ocorre há 24 anos na cidade.

A Câmara Municipal de Salvador aprovou nesta quarta-feira (11) um projeto de lei que proíbe festa de Carnaval a partir das 5h da Quarta-feira de Cinzas. Se sancionada pelo prefeito, a lei acabará com o tradicional arrastão da Quarta-feira de Cinzas que ocorre há 24 anos na cidade.

O autor do projeto é o vereador Henrique Carballal (PV), que se apoia sobre a religião para justificar a proposta. Segundo o vereador,  Quarta-feira de Cinzas é destinada ao início da Quaresma e, por essa razão, não pode ter como fim uma festa “profana”.

“O Carnaval é uma festa vinculada ao calendário eclesiástico. Esticá-lo para a Quarta-feira de Cinzas, na verdade, é fazer uma negação do que é o Carnaval”, disse à Folha de S. Paulo Carballal.

 

DEPUTADO OFERECE RECOMPENSA DE R$ 10 MIL A QUEM MATAR ASSASSINO DE MULHER

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DEPUTADO OFERECE RECOMPENSA DE R$ 10 MIL A QUEM MATAR ASSASSINO DE MULHER

O parlamentar Capitão Assumção (PSL-ES) disse no plenário que pagaria o dinheiro do próprio bolso.

Felipe Quintella*/Estado de Minas – (foto: Reprodução/Youtube) – Durante uma sessão da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, na manhã dessa quarta-feira (11/9), o deputado Capitão Assumção (PSL) subiu à tribuna para oferecer uma recompensa. O parlamentar disse que pagaria R$ 10 mil a quem matasse e trouxesse o cadáver até ele do assassino de Maiara de Oliveira Freitas, de 26 anos. A jovem foi morta durante a madrugada dessa quarta-feira (11/9), em Cariacica (ES), em frente à filha de 4 anos.

“R$ 10 mil do meu bolso para quem mandar matar esse vagabundo. Isso, não merece estar vivo não. Eu tiro do meu bolso para quem matar esse vagabundo aí”, disse o deputado.

A fala de Assumção ocorreu enquanto a pauta da sessão era criação de um fundo penitenciário no Espírito Santo. Depois de oferecer a recompensa, ele criticou a ideia, e o que definiu como “benefícios” aos presidiários. “Vagabundo, que tira a vida de inocente e vai lá ser beneficiado? Nós temos que tomar vergonha na cara, e parar com esse discurso de que preso é gente boa. Preso foi lá porque ele fez maldade contra o cidadão. Essas desgraças não podem estar vivos”, declarou.

 

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A DIGITAL DOS BOLSONARO NO PROJETO QUE QUER MUDAR A TV PAGA (E PODE AFETAR O STREAMING)

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A DIGITAL DOS BOLSONARO NO PROJETO QUE QUER MUDAR A TV PAGA (E PODE AFETAR O STREAMING)

EL PAÍS | AFONSO BENITES | Brasília – Filhos do presidente fazem lobby para aprovar texto em tramitação no Senado que beneficia fusão da AT&T e Time Warner. Senador do PT estuda apoiá-lo, se incluir cota de produção nacional para empresas como Netflix.

Depois de ver fracassada sua tentativa de pressionar a Agência Nacional de Telecomunicações para que a entidade aprovasse ainda neste ano a compra da Time Warner pela AT&T no Brasil, o Governo Jair Bolsonaro (PSL) aposta agora no Senado uma alternativa que vai beneficiar as duas empresas americanas. Na próxima quarta-feira, a Comissão de Ciência e Tecnologia pretende votar o projeto de lei 3.832/2019, que altera as regras da TV paga no país e suspende a proibição de propriedade cruzada, o que permitiria a fusão de quem produz conteúdo (Warner) com quem o distribui (AT&T, a controladora da Sky). A defesa do negócio das gigantes americanas no Brasil virou uma bandeira aberta do Planalto e, especialmente, do deputado Eduardo Bolsonaro, em campanha para ser o novo embaixador do Brasil nos EUA.

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O texto, que se aprovado na comissão vai direto para a apreciação da Câmara, movimenta também as atenções e os lobbies da gigante local, Globo, e suas concorrentes Record, SBT e RedeTV, sócias da programadora de TV a cabo Simba —as últimas cultivam relações mais próximas como os Bolsonaro. Enquanto as nacionais ainda não chegaram a um consenso em pontos da matéria, como a prerrogativa de compra dos direitos de grandes eventos, outro tema embola o debate: a inclusão da Internet, o que pode ter impacto ainda mais amplo.

Caso uma emenda ao texto seja aceita, os canais de streaming, como Netflix e HBO GO, entrariam na lei e seriam equiparados aos canais de TV por assinatura e poderiam ser obrigados a exibir uma cota mínima de produção brasileira. Esse grupo é chamado de over the top (OTT – nomenclatura para transmissão não linear pela Internet). Hoje, os canais por assinatura têm de ter ao menos 3h30 de produção local por semana em sua grade de programação. No caso das OTTs, não está claro como seria essa cota, já que não é possível mensurar a sua grade pela quantidade de horas de transmissão. Tampouco a emenda ao projeto de lei deixa claro como seria feita essa contabilidade.

As iminentes alterações atingem um mercado em queda, o das TVs pagas, que registraram 17,5 milhões de assinantes no ano passado (550.000 assinantes a menos que em 2017) e um ascensão, das OTTs, que supera os 10 milhões no Brasil. Os dados são da Anatel e do mercado. A tendência é que as plataformas digitais superem em poucos anos as TVs por assinatura.

O rastro da família Bolsonaro nessa negociação está no lobby pela aprovação da proposta. O principal articulador para os Governos brasileiro e americano é o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente que deve ser indicado para assumir a embaixada do Brasil nos Estados Unidos, o que depende ainda da aprovação do Senado. A pedido da gestão Donald Trump, ele chegou a ir pessoalmente à Anatel para angariar apoio à fusão das companhias, já aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

O pedido do deputado foi ignorado por enquanto. Dos cinco conselheiros, dois votaram a favor da união da AT&T com a Time Warner,. Um pediu vistas de 120 dias no processo. Os outros dois ainda não votaram. Em Brasília, Eduardo é visto como um lobista aguerrido em favor do Governo Trump, o que ele nega. Seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), é outro negociador junto aos congressistas na matéria. Flávio conversou com ao menos quatro dos membros da Comissão de Ciência e Tecnologia pedindo votos a favor da mudança legal.

Segundo especialistas, caso o projeto de lei seja aprovado de forma terminativa na comissão do Senado (não precisa passar no plenário) e, posteriormente, na Câmara, o processo que tramita na Anatel será extinto, já que a lei brasileira passaria a autorizar essa união. “Uma lei federal se sobrepõe a uma norma de agência reguladora”, explicou o advogado especialista em fusões e aquisições Paulo Bardella, do escritório Viseu Advogados.

“Tem gente querendo pegar carona”

O relator do projeto de lei na Comissão de Ciência e Tecnologia, senador Arolde Oliveira (PSD-RJ), um aliado de Bolsonaro, diz que as mudanças não são apenas direcionadas para a AT&T. “Queremos apenas destravar o problema da propriedade cruzada e permitir que o país tenha mais investimentos”, afirma.

Já o opositor ao bolsonarismo, Rogério Carvalho (PT-SE), afirma que, caso seja garantida a cota de produção local para as OTTs, a oposição deve votar junto com o Governo. “Desde que a lei da TV paga surgiu, diversos produtores independentes surgiram no país. Queremos que criar um marco para que a produção voltada para a Internet respeite essa produção local”, ponderou Carvalho. Ele é o autor da emenda que pode alterar as regras para as empresas de streaming.

Na opinião do senador Oliveira, contudo, o assunto ainda não está pacificado. “Tem gente querendo pegar carona em um projeto que é simples. Por mim, não mudamos nada de Internet agora”, afirmou. Sua ideia é incluir esse tema em um projeto de lei mais profundo, no qual todos os aspectos das OTTs seriam debatidos, desde a criação de limites de produção até eventuais cobranças taxas. Sairá vencedor do primeiro round dessa batalha quem obtiver ao menos 9 dos 17 votos dos senadores da comissão na próxima quarta.

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A ESQUECIDA QUESTÃO DA DESIGUALDADE ENERGÉTICA

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A ESQUECIDA QUESTÃO DA DESIGUALDADE ENERGÉTICA

Retrato de desperdício e exclusão: só em games e piscinas aquecidas, Califórnia consome mais energia que muitos países populosos da África. Além de gerar menos, é preciso redistribuir a eletricidade segundo lógicas pós-mercantis

Outras Palavras | Por Todd Moss, em coautoria com Jake Kincer | Tradução: Inês Castilho – A vida moderna é intensiva ao extremo, no uso de energia. Montanhas de computadores, servidores de dados e aparelhos de ar condicionados devoram uma montanha de eletricidade. Praticamente tudo em nosso estilo de vida, mobilidade, comunicação e trabalho tem embutidas imensas quantidades de energia.

Ela está agora até em nosso dinheiro. Os bitcoins são tão famintos de energia que as pessoas estão começando a preocupar-se seriamente com a possibilidade de eles cozinharem o planeta. Mas essa preocupação não está levando em conta o cenário mais amplo. Enquanto o Ocidente cria uma nova moeda movida a eletricidade, bilhões de pessoas ainda não conseguem ter acesso a energia suficiente para as coisas básicas da vida, tais como ligar uma geladeira, iniciar um negócio ou criar um emprego decente.

O debate sobre o uso de energia do bitcoin esquentou, este ano. Uma equipe de pesquisadores alemães calculou que o consumo total de energia para criar um bitcoin é algo como 48 terawatt-hora (TWh) por ano – ou mais do que 3 milhões de norte-americanos usam, em média. Esse total está mais ou menos alinhado com estimativas da Agência Internacional de Energia, grupo intergovernamental com base em Paris considerado uma autoridade em política energética. Contudo, o popular Índice de Consumo de Energia Bitcoin, da Digiconomist, atribuiu o uso de eletricidade relacionada ao bitcoin a 73 TWh, no ano passado. E, se as criptomoedas tornarem-se mais populares, seu consumo de energia também aumentará.

Seja qual for o número correto, podemos agradecer a Ben Geman, da Axios, por fornecer um contexto revelador. Ele argumentou ser improvável que as emissões de carbono resultantes da produção do bitcoin signifiquem muito, uma vez que o crescimento do consumo global de eletricidade foi de 900 TWh, só em 2018. Segundo este ponto de vista, mesmo que o bitcoin tenha um valor social e econômico questionável, ele não merece grande preocupação quanto às mudanças climáticas.

A controvérsia sobre o impacto das criptomoedas, contudo, ressalta uma questão maior sobre a disparidade na disponibilização de energia entre os países ricos e o resto do mundo. Segundo a Comissão de Energia da Califórnia, os habitantes daquele estado norte-americano usam cerca de 5 TWh anuais somente para ligar suas TVs, e outros 5 TWh para usar banheiras de hidromassagem e piscinas. Com base no mesmo relatório, a revista New Scientist relatou recentemente que o consumo de energia para jogos on line na Califórnia já está em 5 TWh e deve aumentar para 11 TWh até 2021. Sim: apenas para jogos, e apenas na Califórnia.

O senso comum imagina todas essas atividades de lazer como apenas uma fração numa economia vasta, moderna e com uso intenso de energia – o que é verdade. Mas a conta fica diferente quando se sabe que as piscinas e os videogames californianos consomem mais eletricidade do que muitos países inteiros. Aqui está uma pequena amostra

Consumo de Eletricidade (TWh Total)

A história real – a história das pessoas reais – é o abismo impressionante da desigualdade energética global. Os gamers da Califórnia usarão em breve mais eletricidade do que 100 milhões de pessoas na Etiópia. O bitcoin já consome mais energia do que 200 milhões de pessoas na Nigéria. Piscinas e banheiras de hidromassagem na Califórnia consomem mais energia do que a ilha da Jamaica inteira.

A lição correta, aqui, não é que deveríamos boicotar o bitcoin ou que os californianos deveriam desligar seus jogos e esvaziar suas banheiras de hidromassagem. Ninguém também quer tirar as luzes de suas datas festivas. A grande questão é: por que nigerianos e jamaicanos não têm acesso à mesma abundância de energia que os norte-americanos? E, mais precisamente, o que pode ser feito para resolver esse problema?

O triste fato de que Gana, El Salvador ou o Nepal terão de usar menos eletricidade em suas economias do que os jogadores on line da Califórnia é tão injusto quanto insustentável. Isso porque a energia desempenha um papel tão importante nessas economias quanto nas dos países ricos. Eletricidade abundante e confiável é necessária para permitir a industrialização na Etiópia, ampliar o emergente setor de tecnologia no Quênia e impulsionar a expansão das dinâmicas indústrias de cinema e música na Nigéria. No entanto, dados do Banco Mundial mostram muito claramente que o custo e a segurança da eletricidade ainda são uma das principais barreiras ao crescimento econômico e à criação de empregos.

Essa é a razão por que a comunidade internacional precisa mobilizar-se muito mais. Mas a ONU e outros doadores estão excessivamente fixados em soluções românticas de pequena escala, tais como lanternas solares, que podem fornecer iluminação básica mas não conseguem fazer funcionar a geladeira de uma família típica, muito menos fornecer energia suficiente para uma empresa. As comunidades filantrópicas e de tecnologia também começaram a perceber que a pobreza energética prejudica a saúde, a educação, o empoderamento das mulheres e as oportunidades econômicas. Mas também elas estão interessadas principalmente em engenhocas e no financiamento de pequenas soluções – que abrandam os piores efeitos da extrema pobreza, mas estão muito longe da escala necessária para criar ocupações ou impulsionar uma economia moderna.

As desigualdades chocantes no consumo global de energia sublinham a razão pela qual todo país precisa ter um futuro com elevado padrão energético para oferecer oportunidades e prosperidade a todas as pessoas. Ao menos 3 bilhões de pessoas (sim, 3 bilhões!) vivem em locais onde um sistema energético deficiente é a principal barreira para realizar seu potencial ou encontrar um emprego. Se queremos um mundo melhor, mais justo e mais seguro, a pobreza energética é um problema que precisa ser resolvido – e resolvido em escala. O debate sobre clima versus bitcoin é uma distração. O verdadeiro desafio é tornar tão fácil para um empreendedor do Burundi levar adiante suas iniciativas quanto para uma criança de Mendocino, na Califórnia, jogar Minecraft.

ECONOMIA | AS CONTAS FALSAS DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA

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ECONOMIA | AS CONTAS FALSAS DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA
FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

O subsídio para os pobres pós-reforma será muito menor, e não maior como alegam os cálculos do governo

Carta Capital | Pedro Paulo Zahluth Bastos – Tomamos um susto quando recebemos, em agosto, as planilhas do governo com os cálculos que embasavam a apresentação feita pelo Secretário da Previdência à imprensa, em 25 de abril, em um de suas idas ao Congresso Nacional. A apresentação de Rogério Marinho, em abril, foi uma resposta ao escândalo provocado pela decisão do governo de decretar sigilo dos estudos técnicos que justificam a reforma e suas supostas economias. Não resolvia o problema, contudo, porque as planilhas continuavam secretas.

Até que o pedido solicitado via Lei de Acesso à Informação por Ricardo Knudsen foi atendido em agosto. André Passos, Henrique Sá Earp e eu mal acreditamos. O susto foi maior quando se percebeu que as planilhas não faziam sentido. Elas não podiam estar calculando o que diziam calcular.

A Nota Informativa do Ministério da Economia intitulada “A Nova Previdência combate Privilégios” construía a ficção do título alegando grande redução do subsídio a um aposentado do setor privado, que teve renda média de R$ 11.700,00 e que se aposentou aos 60 anos com 35 anos de contribuição. Ele supostamente receberia benefícios de aposentadoria no valor de R$ 400 mil a mais do que contribuiu, mas a reforma da Previdência o impediria.

Uma injustiça evidente: como pode um país cheio de problemas fiscais e carência sociais subsidiar a aposentadoria de um brasileiro muito bem de vida com R$ 400 mil no período de 23 anos até sua morte? A reforma não o deixaria na mingua, apenas reduziria o subsídio para R$ 75 mil.

Só que não. Poucos sabem, mas os aposentados por tempo de contribuição (30 anos para mulheres e 35 anos para homens) contribuem mais para a Previdência do que recebem, sobretudo caso se aposentem cedo. Isso é conhecido entre contadores especialistas em Previdência e é repetido há anos por pesquisadores como Fabio Giambiagi (BNDES) e Luiz Eduardo Afonso (USP) sem críticas acadêmicas.

Já o contador pelo menos costuma aconselhar o aposentado a se aposentar mais tarde com integralidade de benefícios. Caso se aposente mais cedo, o Fator Previdenciário, criado em 1999, vai descontar o valor da aposentadoria mais do que a extensão da aposentadoria. É por isso que sindicatos pedem há anos o fim do Fator.

Se o próprio governo barrar a aposentadoria precoce e deixar de descontar o Fator Previdenciário, ele vai apenas adiar o pagamento da aposentadoria, mas vai pagar mais por ela no final. Vai jogar a conta para as gerações futuras, mas vai aumentar a conta.

Os bancos e empresas de previdência adorariam isto, pois passariam a oferecer aos trabalhadores de maior renda a possibilidade de se aposentar mais cedo, vendendo planos de previdência privada. Daí o escândalo quando se descobriu que a BrasilPrev, uma empresa privada, pagava como conselheiro o Secretário da Previdência de Michel Temer, Marcelo Caetano. Ele foi forçado a ficar só com o cargo público em 2017 sob acusação de conflito de interesses no momento em que defendia mais ou menos a mesma reforma da Previdência aprovada pela Câmara dos Deputados, em julho de 2019.

Se a aposentadoria por tempo de contribuição traz hoje mais recursos do que tira do sistema ao longo do tempo, como o governo podia chegar à conta inversa na planilha que nos enviou? Percebemos que o governo não cometeu o erro primário de economistas como Paulo Tafner, Marcos Lisboa e Pedro Nery, que usam só a álgebra elementar, sem sequer aplicar o Fator Previdenciário ao apresentar o cálculo atuarial das aposentadorias. Aqueles que fizeram os cálculos na planilha oficial que recebemos usaram as técnicas de matemática financeira que são consagradas na comunidade internacional e nacional especializada em avaliar o equilíbrio atuarial de diversos regimes de aposentadoria (e não apenas regimes de capitalização).

Demoramos, mas descobrimos que eles não calcularam o que diziam, ou seja, uma aposentadoria aos 60 anos com 35 anos de contribuição. Calculavam uma aposentadoria por idade. E isto faz toda a diferença.

O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) funciona assim: os aposentados por idade em geral recebem mais do que contribuem, ao contrário dos aposentados por tempo de contribuição. O sistema é de repartição e solidariedade não apenas geracional, mas social: as aposentadorias com grande tempo de contribuição, maior valor e menor idade financiam a aposentadoria de menor valor dos trabalhadores que se aposentam mais velhos e com pouco tempo de contribuição.

O RGPS diminui a concentração pessoal e regional da renda, ao contrário do argumento usado contra a aposentadoria por tempo de contribuição e que é de interesse dos bancos e fundos de previdência privada. Assim, os trabalhadores dos estados mais ricos, onde se concentram as aposentadorias com grande tempo de contribuição, contribuem para a aposentadoria dos trabalhadores dos estados mais pobres, onde se concentram as aposentadorias por idade e pouco tempo de contribuição.

O chamado déficit do RGPS é muito recente e foi provocado pela crise econômica. Vai se tornar superávit sem reforma alguma, desde que a crise passe, e o emprego formal e a arrecadação das contribuições fiscais para a previdência (CSLL e Cofins) se recuperem. No longo prazo, basta que a renda per capita cresça a uma taxa de 0,72% a.a. para que as contribuições arquem o envelhecimento populacional de aposentados que terão salários fixos além do piso. O Fator Previdenciário e impostos sobre os muito ricos também podem ajudar se necessário.

Finalmente descobrimos que a planilha do governo simulava, na verdade, o caso de um aposentado com 65 anos de idade e 25 anos de contribuição. Pior: inflava o déficit ao descartar as contribuições empresariais acima do teto até R$ 11700,00. A matéria de capa da Carta Capital explica as outras manipulações. Um escândalo que vale CPI, pois são estas as contas que ilustram as apresentações enganosas feitas por representantes do governo desde abril.

O governo precisa liberar publicamente todas as outras planilhas. O povo precisa saber a conta verdadeira. A “economia” da reforma não vem da abolição da aposentadoria por tempo de contribuição, mas de critérios mais duros de acesso à aposentadoria e de desconto nos valores que vão fazer os trabalhadores contribuírem mais para receberem menos.

O trabalhador mais pobre pós-reforma continuará recebendo salário mínimo, mas precisará contribuir cinco anos a mais, ou 33% a mais. Para salários superiores ao piso, o desconto do salário para a aposentadoria com a reforma, será, na condição mínima de 15 a 20 anos de contribuição, de 40%. Hoje é de apenas 15% para 15 anos de contribuição e de apenas 10% para 20 anos de contribuição. Ou seja, o subsídio para os pobres pós-reforma será muito menor, e não maior como alegam os cálculos do governo. É exatamente este corte no valor da aposentadoria que jogará milhões de famílias na pobreza. Ainda há tempo de evitar.

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