VALE A PENA LER E ENTENDER O IMBROGLIO TELEGRAM HACKEADO

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VALE A PENA LER E ENTENDER O IMBROGLIO TELEGRAM HACKEADO

Então deixa eu ver se entendi. Mês passado foram postadas no Intercept conversas privadas entre Moro, Dalagnol e outras figuras ilustres da Lava Jato. Embora Moro tenha afirmado que as conversas não tinham “nada de mais” (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/06/nao-vi-nada-demais-diz-moro-sobre-mensagens-com-procurador-da-lava-jato.shtml), ficou preocupado com a possibilidade dos celulares dos envolvidos terem sido hackeados. O hackeamento teria se dado através do Telegram, aplicativo que já chegou a oferecer o valor de mais de 1 milhão de reais pra qualquer um que conseguisse quebrar sua criptografia   (https://extra.globo.com/noticias/brasil/telegram-ja-ofereceu-11-milhao-para-hacker-que-quebrasse-criptografia-23731172.html)

vale lembrar que o Telegram já havia sido banido da Rússia por se negar a repassar dados ao governo russo, o que mostra que sua criptografia é complexa demais até mesmo pro serviço secreto do Putin (https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/05/02/Por-que-o-Telegram-foi-bloqueado-na-R%C3%BAssia-e-no-Ir%C3%A3).

Apesar da preocupação, nenhum dos envolvidos nas conversas vazadas topou entregar seus celulares à Polícia Federal, o que não apenas ajudaria a rastrear o hacker como também poderia mostrar que as mensagens expostas haviam sido forjadas https://revistaforum.com.br/vaza-jato-nenhum-dos-procuradores-entregou-o-celular-para-a-pericia-da-policia-federal/).

A certa altura, chegou-se à conclusão de que o culpado pelos vazamentos era o hacker mais procurado do mundo, o russo Evgeniy Mikhailovich Bogachev, também conhecido como Slavic, e que ele teria recebido US$308 mil em bitcoins do Glenn Greenwald pelo serviço (https://moneytimes.com.br/suposto-hack-no-computador-de-glenn-greenwald-revela-esquema-de-pagamento-a-hacker-russo-em-bitcoins/).

Porém, ontem, mesmo sem a cooperação das pessoas que tiveram seus celulares hackeados, a PF descobriu que o hacker não era russo, mas morava em Araraquara https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/pf-caca-hacker-que-invadiu-celular-de-moro/).

Conhecido como Vermelho (vermelho = comunista, entenderam?), o hacker de Araraquara passou os últimos 8 anos inativo no Twitter, até que, pouco depois de começarem as matérias do Intercept, ele convenientemente voltou a twittar uma série de mensagens em apoio ao trabalho de Greenwald (https://www.metropoles.com/brasil/policia-br/suspeito-de-hackear-moro-voltou-ao-twitter-dias-antes-da-vaza-jato).

Além de ser o hacker menos precavido da História – seus perfis digitais possuem todas as informações que a PF precisaria pra apanhá-lo – Vermelho – que é filiado ao DEM, partido aliado do governo Bolsonaro

(https://www.diariodocentrodomundo.com.br/hacker-preso-pela-pf-estava-com-twitter-adormecido-desde-2011/) –

não apenas confessou imediatamente os crimes, como também revelou que as mensagens foram forjadas. Ou seja, o cidadão teve todo o trabalho pra quebrar a criptografia do Telegram não para roubar conversas reais, mas para inventar conversas que não têm “nada de mais” e que ele poderia ter inventado sem precisar invadir o celular de ninguém. Mesmo tendo conseguido invadir o Telegram, ele não quis o 1 milhão que a empresa pagaria a quem realizasse tal proeza, preferindo lucrar com a venda para o PT das conversas forjadas com conteúdo “nada de mais” (https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2019/07/24/advogado-do-dj-preso-hacker-queria-vender-mensagens-de-moro-para-o-pt.htm).

No entanto, agora descobriu-se que, embora o rapaz estivesse em Araraquara, os tweets de Vermelho vinham sendo postados de… Brasília! (https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/tuites-do-hacker-vermelho-aparecem-como-postados-de-brasilia/).

Nesse momento, o advogado de Vermelho está alegando que o rapaz tem problemas psiquiátricos (https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/07/25/defesa-diz-que-preso-suspeito-de-hackear-autoridades-tem-problema-psiquiatrico.ghtml),

o que pode levar à sua absolvição. Tipo o Adélio, sabe? (https://www.correiodoestado.com.br/cidades/sem-visitas-adelio-bispo-quer-ficar-perto-da-familia/357359/)

Rapaz, e a gente achando que os roteiristas dos filmes dos Transformers é que subestimavam a inteligência do público…

ACUSADOS DE INVADIREM CELULARES DE AUTORIDADES TÊM PRISÃO TEMPORÁRIA PRORROGADA

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ACUSADOS DE INVADIREM CELULARES DE AUTORIDADES TÊM PRISÃO TEMPORÁRIA PRORROGADA

No documento em que publica a decisão, o magistrado alega que, se fossem soltos agora, os investigados poderiam, em conjunto ou isoladamente, tentar eliminar provas

Agência do Rádio – Repórter Paulo Henrique – O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, decidiu prorrogar até a próxima sexta-feira (2) a prisão temporária dos quatro suspeitos de invadirem mais de mil celulares, incluindo o de autoridades. Os três homens e a mulher acusados pelo crime foram presos em operação da Polícia Federal na última terça-feira (23).

No documento em que publica a decisão, o magistrado alega que, se fossem soltos agora, os investigados poderiam, em conjunto ou isoladamente, poderiam tentar eliminar provas.

Entre os aparelhos hackeados, estariam o do presidente Jair Bolsonaro, do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, além da líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), e os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Justiça, Sérgio Moro. Há ainda a possiblidade de ministros do Supremo Tribunal Federal também terem sido alvos da invasão. A Polícia Federal não confirma nenhum hackeamento porque a investigação corre em sigilo.

Em depoimento obtido pela TV Globo, Walter Delgatti Neto, suspeito de ser o hacker que invadiu os telefones, teria informado à PF que chegou aos arquivos do Telegram do procurador da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, por meio de agendas telefônicas de outras autoridades. Segundo as informações divulgadas pela emissora, o acusado também teria confirmado que repassou os materiais obtidos ao jornalista Glenn Greenwald. Além disso, teria dito que o contato com o fundador do site The Intercept Brasil foi intermediado pela ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) e que não recebeu dinheiro pelo material, nem editou os conteúdos a que teve acesso.

Em nota publicada nas redes sociais, Manuela D’Ávila afirmou que teve o celular invadido e que uma pessoa não identificada “queria divulgar o material por ele coletado para o bem do país”. Mesmo diante da invasão, a política confirmou o repasse do contato de Glenn Greenwald. Ressaltou, no entanto, que “desconhece a identidade” de quem teria invadido seu celular.

MORO DIVULGOU DELAÇÃO DE PALOCCI PARA USO CONTRA O PT NAS ELEIÇÕES DE 2018, COMPROVA VAZA JATO

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MORO DIVULGOU DELAÇÃO DE PALOCCI PARA USO CONTRA O PT NAS ELEIÇÕES DE 2018, COMPROVA VAZA JATO

Bolsonaro e Moro na posse presidencial (Foto: Presidência da República)

“Russo comentou que embora seja difícil provar ele é o único que quebrou a omerta petista”, disse o procurador Paulo Roberto Galvão, usando o apelido de Moro e a expressão da máfia italiana para se referir ao PT. Pouco mais de um mês depois, Moro aceitou ser ministro de Bolsonaro.

Mesmo sem acreditar em provas e duvidar da idoneidade, o ex-juiz Sergio Moro divulgou a delação do ex-ministro Antonio Palocci a seis dias do primeiro turno da eleição presidencial, em 2018, para que fosse feito uso político de adversários contra o que ele classificou para procuradores da Lava Jato como “omerta petista”.

“Russo comentou que embora seja difícil provar ele é o único que quebrou a omerta petista”, disse o procurador Paulo Roberto Galvão a seus colegas num grupo de mensagens do aplicativo Telegram em 25 de setembro. Os diálogos foram divulgados nesta segunda-feira (29) pelo jornal Folha de S.Paulo, em parceria com o site The Intercept.

Russo é o apelido usado pelos procuradores da Lava Jato para se referir a Sergio Moro. Omerta é o código de honra dos mafiosos italianos, casso de corrupção que é usado frequentemente por Moro para comparar com o trabalho da Lava Jato.

Pouco mais de um mês depois, Moro abandonou a magistratura para ser ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Jair Bolsonaro.

Uso eleitoral

Moro divulgou a delação de Palocci no dia 1º de outubro, uma semana após o comentário reproduzido por Paulo Roberto Galvão no Telegram e uma semana antes do primeiro turno das eleições presidenciais.

No dia 1º, o assunto ocupou quase nove minutos do Jornal Nacional, da TV Globo. A reportagem citou duas vezes a ligação do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli com a campanha do então candidato presidencial do PT, Fernando Haddad, que aparecia em segundo lugar na corrida eleitoral, bem atrás do favorito, Jair Bolsonaro (PSL).

Nos dias seguintes, a delação de Palocci foi noticiada com destaque pela Folha e por outros jornais e ganhou visibilidade na propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

Os dois últimos programas da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) mencionaram as acusações do ex-ministro, dizendo que ele havia mostrado por que era preciso impedir a volta do PT ao poder.

Colhendo os frutos

Em sua defesa no Conselho Nacional de Justiça, 15 dias depois de divulgar a delação, Moro afirmou que a delação de Palocci incluía “outros depoimentos, alguns mais contundentes” e acrescentou que aguardara a apresentação das provas de Palocci à polícia para evitar que a “divulgação prematura” da delação prejudicasse as investigações.

Um mês depois de apresentar essas explicações, Moro abandonou a magistratura para ser ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Bolsonaro. Duas semanas depois, o TRF-4 soltou Palocci, que estava preso em Curitiba havia dois anos, e determinou seu recolhimento em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica.

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HADDAD CONDENA ESTELIONATO ELEITORAL DE MORO E DIZ QUE ELE DEVE SER DEMITIDO

HADDAD CONDENA ESTELIONATO ELEITORAL DE MORO E DIZ QUE ELE DEVE SER DEMITIDO

Fernando Haddad e Sergio Moro (Foto: Gustavo Bezerra | Lula Marques)

Brasil247 – O ex-prefeito Fernando Haddad condenou o fato de Sérgio Moro ter atuado para mudar o resultado da eleição presidencial, enquanto negociava seu cargo com Jair Bolsonaro, e cobrou sua demissão; “Enquanto negociava cargo no governo, Moro agia politicamente nas eleições. Como pode permanecer na função? Moro achava fraca delação de Palocci que divulgou às vésperas de eleição, sugerem mensagens”, postou no Twitter.

O ex-prefeito Fernando Haddad usou o Twitter para pedir a saída do ministro da Justiça, Sérgio Moro, após a divulgação de novos trechos das mensagens que ele trocou com membros da Lava Jato que revelam que ele atuou para mudar o resultado das eleições presidenciais enquanto negociava, paralelamente, o seu cargo no governo Jair Bolsonaro. (Leia no Brasil 247)

“Enquanto negociava cargo no governo, Moro agia politicamente nas eleições. Como pode permanecer na função? Moro achava fraca delação de Palocci que divulgou às vésperas de eleição, sugerem mensagens”, postou Haddad.

A postagem faz referência à uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo, em parceria com o site The Intercept Brasil, que mostra que a decisão de Moro em autorizar a divulgação da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci apenas seis dias antes do primeiro turno da eleição presidencial de 2018.

Segundo a troca de mensagens obtidas pela Vaza Jato, Moro teria autorizada a divulgação visando dividir os seguidores eleitores do PT, apesar de ter dúvidas sore as provas apresentadas por Palocci em sua delação.

Confira o Twitter de Fernando Haddad sobre o assunto.

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CONSULADO DOS EUA NEGA VISTO AOS FILHOS DE GLENN GREENWALD

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CONSULADO DOS EUA NEGA VISTO AOS FILHOS DE GLENN GREENWALD

(Foto: Foto: RICARDO MORAES)

Brasil247 – O jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil ainda não foi atendido no pedido de autorização emergencial que fez ao Consulado dos Estados Unidos para que seus filhos visitem a avó que está com câncer terminal.

O jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil ainda não foi atendido no pedido de autorização emergencial que fez ao Consulado dos Estados Unidos para que seus filhos visitem a avó que está com câncer terminal; a informação é da jornalista Mônica Bergamo em sua coluna na Folha de S.Paulo.

Glenn Greenwald apresentou ao consulado dos EUA no Rio um relatório médico que mostra que sua mãe sofre de um câncer terminal.

A jornalista relata que os documentos foram levados à representação americana na manhã de segunda (22) pelo deputado David Miranda (PSOL-RJ), marido de Glenn, mas na hora combinada para receber o visto, o deputado teve uma surpresa: foi informado de que seriam necessárias informações adicionais para a aprovação do visto. E que não havia mais data para que eles fossem entregues.

“Provavelmente houve uma ordem de cima para que isso ocorresse. É uma crueldade com as crianças e com a mãe do Glenn”, diz o parlamentar.

“HACKER DE ARARAQUARA” USADO POR MORO É ESTELIONATÁRIO COM VÁRIAS PASSAGENS PELA POLÍCIA

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(Foto: Reprodução | Lula Marques)

Brasil247 – O “hacker” Walter Delgatti Neto, que teria invadido o celular do ministro Sérgio Moro (Justiça), é acusado de vários crimes, dentre eles estupro e estelionato; o ex-juiz usa Walter Neto na tentativa de se livrar de envolvimento na Vaza Jato, mas a fonte do Intercept Brasil pode não ser a que foi apresentada pelas autoridades.

O “hacker” Walter Delgatti Neto, que teria invadido o celular do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, é acusado de vários crimes, dentre eles estupro e estelionato. O ex-juiz usa Neto na tentativa de se livrar de envolvimento das irregularidades da Operação Lava Jato reveladas pelo Intercept Brasil. A fonte do site pode não ser a que foi apresentada pelas autoridades.

De acordo com o jornalista Glenn Greenwald, o primeiro contato com a fonte que repassou os diálogos do ex-magistrado a ele ocorreu no início de maio, ou seja, um mês antes da denúncia feita por Moro. E o hacker só apareceu em cena depois que Moro disse ter sido hackeado.

O curioso é que vida de ostentação de Neto chamou atenção da polícia. Segundo informações do programa Fantástico, em 2015, a administração de um hotel o acusou de ter ido embora sem pagar R$ 1 mil. Em outro hotel, foi acusado de pagar a conta com cartão de outra pessoa. O hotel procurou o dono do cartão e, segundo ele, Walter era um estelionatário. “O perfil dessas pessoas é relacionado a estelionato bancário eletrônico”, afirma o coordenador de Inteligência da Polícia Federal João Vianey Xavier Filho, durante coletiva de imprensa.

Também acusado de hackeamento, Danilo, amigo de Neto, contou apoliciais que Walter às vezes aparecia com carros luxuosos, o que chamava atenção da polícia. Afirmou que não sabe dizer como Walter conseguia dinheiro para pagar as extorsões nem para comprar os veículos.

Em depoimento, Danilo afirmou que emprestou o nome para Walter alugar o imóvel, em nome da amizade, sem receber pagamento ou vantagem por isso, que a internet do apartamento ficou em seu nome, Danilo, e que emprestou para Walter uma conta bancária. Pediu um cartão extra e só Walter movimentava essa conta.

Danilo também confirmou que fez operações de câmbio a pedido de Walter, que disse ter extrapolado o limite de compra de dólares. Danilo disse que não conhece ocupação profissional alguma exercida por Walter, ao longo dos anos.

Outro detalhe é que a Polícia Federal já tinha encontrado operações financeiras suspeitas, feitas em 2016 por Walter e Danilo. Os dois compraram dólares e euros em casas de câmbio dos aeroportos de Natal (RN) e do Rio de Janeiro (RJ), em um total de R$ 90 mil.

Segundo a polícia, os dois teriam comentado que usariam o dinheiro para comprar armas. “Cartões de crédito e débito, o que é muito comum. E a Polícia Federal já tem alguma expertise nesse tipo de investigação”, afirmou Xavier Filho, da inteligência da PF.

Estupro

Walter não estaria apenas ligado a crimes de estelionatário. Em 2015, a Delegacia da Mulher de Araraquara (SP) recebeu uma jovem de 17 anos, a namorada do irmão de Walter. Ela contou que foi dopada e estuprada pelo hacker.

Depois a jovem mudou o depoimento, negou o estupro e o caso foi arquivado.

Antes do arquivamento, a polícia foi até o apartamento de Walter e descobriu outro crime. Foram apreendidos vários medicamentos controlados, receitas médicas e uma carteirinha de estudante de Medicina da Universidade de São Paulo. Na época, Walter afirmou que usava a carteirinha pra pagar meia entrada no cinema e para enganar meninas, dizendo que era estudante de medicina. Foi preso por documento falso e tráfico de substâncias.

GLENN DENUNCIA GOVERNO TRUMP POR NEGAR VISTO A SEUS FILHOS E PROMETE MAIS REVELAÇÕES DA VAZA JATO

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GLENN DENUNCIA GOVERNO TRUMP POR NEGAR VISTO A SEUS FILHOS E PROMETE MAIS REVELAÇÕES DA VAZA JATO

Glenn Greenwald e Donald Trump (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado | Reuters)

Brasil247 – O jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, denunciou na manhã desta segunda-feira (29) o governo de Donald Trump por ter negado visto a seus filhos; segundo Glenn, tal postura “é desumana”; o jornalista também anunciou que irá relevar novas mensagens da Vaza Jato.

O jornalista Glenn Greenwald, editor do site The Intercept, denunciou na manhã desta segunda-feira (29) o governo de Donald Trump por ter negado visto a seus filhos; segundo Glenn,  tal postura “é desumana”. O jornalista também anunciou que irá relevar novas mensagens da vaza jato.

Entenda o caso: 

Glenn ainda não foi atendido no pedido de autorização emergencial que fez ao Consulado dos Estados Unidos para que seus filhos visitem a avó que está com câncer terminal; a informação é da jornalista Mônica Bergamo em sua coluna na Folha de S.Paulo.

Glenn Greenwald apresentou ao consulado dos EUA no Rio um relatório médico que mostra que sua mãe sofre de um câncer terminal.    Leia mais aqui.

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“NÃO BASTA DISTRIBUIR RIQUEZAS”, DIZ EX-MINISTRO BOLIVIANO SOBRE GOVERNOS DE ESQUERDA

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Ex-minsitro da Bolívia, Hugo Moldiz afirma que os governos de esquerda precisam repensar suas estratégias políticas / Fania Rodrigues

Conquistas, dificuldades e expectativas dos mandatos progressistas são debatidas no Foro de São Paulo

Fania Rodrigues | Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) – Quais foram as principais conquistas dos governos de esquerda na América Latina? E as reais chances dos partidos progressistas vencerem as eleições esse ano, em países com Argentina, Uruguai e Bolívia? Esses foram alguns dos temas em debate nessa sexta-feira (26), no Foro de São Paulo, que acontece em Caracas, entre 25 e 28 de julho.

Para o ex-ministro de Governo da Bolívia, Hugo Moldiz os partidos de esquerda da região, que chegaram ao poder, precisam repensar suas estratégias políticas. “Foi um erro pensar que somente a distribuição de riquezas seria suficiente para gerar consciência no povo e acumulação política. Transformamos nossos eleitores em consumidores passivos”, afirmou Modiz. Ele se refere aos governos como do PT, no Brasil, dos Kirchner, na Argentina, da Aliança País, de Rafael Correa, no Equador, o Movimento ao Socialismo, de Evo Morales, na Bolívia, entre outros.

Nesse aspecto, a Venezuela traçou um caminho diferente dos demais governos progressistas, diz Moldiz. “O grau de consciência política da Venezuela é outro. Sem a atual acumulação política, a capacidade de organização e a formação ideológica que possui a Venezuela não teria sido possível esse nível de resistência contra os Estados Unidos”, ressaltou o ex-ministro.

Para o dirigente cubano Víctor Gaute, integrante do secretariado do Partido Comunista de Cuba, “a Venezuela hoje é o cenário onde os Estados Unidos despeja toda a sua crueldade”. O país caribenho também sofre as consequências de um bloqueio imposto pelo governo estadunidense. Superar essa dificuldade tem sido o maior desafio do governo e da Revolução Cubana nos últimos anos, segundo Víctor Gaute. “Temos consciência de que a política genocida dos Estados Unidos, entre elas o bloqueio econômico, é a principal dificuldade que nós enfrentamos no desenvolvimento do nosso país. Mas nada disso vai impedir que nós possamos avançar e construir um mundo melhor”.

O dirigente do Partido Comunista de Cuba diz ainda, que a nova Constituição, aprovada em plebiscito no dia 24 de fevereiro, pode ajudar na modernização do país. “Pode contribuir e muito. Primeiro porque é fruto de um debate muito rico, muito amplo, que permitiu mudar mais de 60% do que havia sido inicialmente proposto. Ademais, porque o texto reflete a maneira como queremos construir o país. Essa é uma Constituição moderna, que propícia um desenvolvimento institucional e do país, que tem uma visão de futuro muito otimista”, explica.

A população cubana tem confiança no novo texto constitucional, de acordo com Gaute, sobretudo porque já era o momento de estabelecer novos objetivos. “Todas as metas estabelecidas pelo líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, depois de 26 de julho de 1953, depois do assalto do Quartel de Moncada, quando arranca a revolução, foram cumpridas”. E são desses resultados que parte a confiança dos cubanos no futuro, segundo o dirigente.

Dirigente cubano, Víctor Gaute afirma que nova Constituição ajudará a modernizar o país (Foto: Fania Rodrigues)

CONQUISTAS E OPORTUNIDADES

A governadora do estado venezuelano de Cojedes, Margaud Godoy, falou sobre as principais conquistas da Revolução Bolivariana da Venezuela. “Nosso principal orgulho, nesses 20 anos de revolução, foi poder ter feito uma distribuição equitativa das riquezas do petróleo. Hoje 79% do orçamento do Estado é investido em políticas sociais”, destaca a governadora.

Sobre a atual situação de crise econômica e do bloqueio implementado pelos Estados Unidos, Godoy disse que o governo nacional e os regionais estão incentivando políticas públicas de produção para superar o desabastecimento. “As crises, muitas vezes, geram oportunidades. Estamos trabalhando para produzir os bens que consumimos e assim também, poder superar nossa dependência das importações de produtos”, diz a governadora.

O representante uruguaio também falou sobre o desafio dos governos de esquerda em diminuir a dependência comercial em relação às grandes potências internacionais. “Os governos socialistas da região precisam avançar na questão produtiva”, apontou o dirigente do Partido Comunista do Uruguai, Rony Carbo. Seu partido é integrante da coalizão Frente Amplio, que governo Uruguai desde 2005.

O país está entre os três da região que esse ano realizam eleições presidenciais e parlamentares, quando projetos dos partidos da direita e da esquerda serão confrontados. “As eleições no Uruguai, Argentina e Bolívia serão fundamentais para dar uma resposta clara à direita do continente”, ressalta.

Na Bolívia, mesmo em um cenário de possível vitória eleitoral para o campo progressista, os desafios serão grandes, de acordo com o ex ministro Hugo Moldiz. “Não tenho dúvidas de que Evo Morales vai ganhar as eleições. Não sei se vai ganhar com a vantagem similar aos resultados de 2005, 2009 e 2014, mas somente o fato de ganhar vai representar uma mensagem forte, não somente para os bolivianos, mas também para a América Latina. Porém, coloca um desafio importante, que é voltar à nossa origem, de construir poder junto ao povo”, afirma Modiz, que também é dirigente do Movimento ao Socialista.

Atualmente a região da América Latina possui sete governos conservadores e três do campo da esquerda. Portanto, a disputa entre os dois setores políticos estarão em pauta nesses processos eleitorais.

Edição: Michele Carvalho

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GRUPO ARMADO INVADE ALDEIA NO AMAPÁ E MATA INDÍGENA

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GRUPO ARMADO INVADE ALDEIA NO AMAPÁ E MATA INDÍGENA

Segundo o senador Randolfe Rodrigues há potencial gravíssimo de conflito

Indígenas da aldeia Marirí fugiram para aldeia Aramirã. / Reprodução

Redação | Brasil de Fato | São Paulo (SP) – Um grupo de homens armados invadiu a aldeia indígena Waiãpi, em Pedra Branca do Amapari, no Amapá na madrugada de sexta para sábado (27). Emyra Wãiapi havia sido assassinado pelo mesmo grupo com requintes de crueldade nesta semana. Na manhã deste domingo (28), a Polícia Federal e o Bope chegaram na área, assim como a Fundação Nacional do Índio (Funai).

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foi acionado pelo vereador Jawaruwa Waiãpi, que enviou áudios com pedido de socorro ao senador. “Uma liderança fez contato informando que ocorreu uma invasão dos garimpeiros e assassinaram um cacique”, relatou ao Congresso em Foco o senador. Acuados e com medo de novas retaliações, os indígenas se refugiaram na comunidade vizinha Aramirã, para onde crianças e mulheres foram levadas.

Porém, eles prometem retomar a aldeia caso as autoridades não adotem providências para expulsar os invasores da comunidade. “Há potencial gravíssimo de conflitos”, lamenta Randolfe.

De acordo com o senador João Capiberibe (PSB), os invasores provavelmente não são do Amapá. “Não se sabe se são garimpeiros. Eles estão armados inclusive com metralhadoras e entraram na região, possivelmente pela fronteira do estado com o Pará.” Capiberibe teve contato na noite deste sábado com o cacique Viceni Waiãpi, que narrou o assassinato do líder. Segundo as informações de Waiãpi ao senador, as lideranças já haviam denunciado anteriormente, mas foram desacreditadas.

Ambos senadores alertam para a escalada do ódio e da intolerância após a eleição do presidente Jair Bolsonaro. “O sangue derramado é culpa do governo federal, que ocorre por causa da omissão de organismos de controle”, reprovou Randolfe Rodrigues. “Quem vive do crime se sente protegido em poder invadir terra indígena.”

Desde janeiro, houve expansão dos focos de garimpo ilegal no Norte, assim como o aumento do desmatamento, como constatou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Defendendo uma política de exploração de mineral em terras indígenas, Bolsonaro vem contestando o trabalho do órgão, como relembra o Congresso em Foco.

Militantes da área, como indígenas e ambientalistas, responsabilizam o governo Bolsonaro pelo avanço da atividade ilegal – verificado em diferentes pontos do Pará e de Roraima – e criticam o afrouxamento das regras de controle e fiscalização.

Solidariedade e Indignação

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifestou, no twitter, “preocupação com as informações recebidas sobre a possível presença de invasores armados no território do povo Wajãpi”. A comissão solicitou também “a devida diligência do Estado brasileiro para proteger e prevenir possíveis violações de seus direitos humanos”.

Em nota, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) se solidariza com o povo indígena Waiãpi e repudia a violência que “vem se acirrando, principalmente fomentado pelos posicionamentos intransigentes, irresponsáveis, autoritários, preconceituosos, arrogantes e desrespeitosos do atual governo, especialmente do senhor presidente da República Jair Bolsonaro, com os ataque que vem fazendo aos direitos dos povos originários deste país,sobretudo aos direitos territoriais já garantidos em terras indígenas completamente demarcadas regularizadas á luz da Constituição Federal de 1988 e que esse governo vem a todo e momento tentando retroceder.”

*Com informações do Congresso em Foco. Atualizado em 28/08/2019 às 15h08

Edição: Luiz Felipe Albuquerque e Daniela Stefano

 

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FORO DE SÃO PAULO | SUPERAÇÃO DO CONSERVADORISMO SE DARÁ COM UNIDADE ENTRE OS POVOS

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FORO DE SÃO PAULO | SUPERAÇÃO DO CONSERVADORISMO SE DARÁ COM UNIDADE ENTRE OS POVOS

As atividades do 25º Foro de São Paulo ocorre entre os dias 25 a 28 de julho em Caracas, na Venezuela. / PSUV

Saiba como as organizações do Foro de São Paulo avaliam as disputas políticas internacionais

Michele de Mello | Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) – Cerca de 150 organizações dos cinco continentes estão reunidas até este domingo (28) em Caracas (Venezuela) para compartilhar análises e discutir horizontes de atuação da esquerda no mundo. Entre um espaço e outro se elencam os principais enfrentamentos que a esquerda enfrenta hoje em cada região.  O desafio é encontrar saída para, à distância, trabalhar pelo fortalecimento comum.

Na América Latina, além da ascensão de governos de uma ideologia conservadora, as ameaças e agressões contra a Venezuela, apoiadas por países vizinhos, como o Brasil e a Colômbia, é outro assunto latente.

“O fato de o Foro ser realizado aqui em Caracas é uma demonstração clara de apoio ao governo Maduro, à Revolução Bolivariana e ao legado de Hugo Chávez. Estamos dizendo ao imperialismo que a Venezuela não está sozinha. Não vamos permitir uma intervenção e vamos até as últimas consequências. Se eles se atrevem a uma aventura militar na Venezuela devem estar seguros de que todos os povos democráticos e revolucionários do continente defenderão a Revolução”, afirma o líder do partido colombiano Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC), Ilich Rojas.

lich Rojas, líder do partido colombiano Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC). Foto: Michele de Mello/Brasil de Fato

Guerras silenciosas

Apesar da assinatura do Acordo de Paz entre o governo colombiano de Juan Manuel Santos (2010 – 2018) e a antiga guerrilha FARC há três anos, o conflito armado mais antigo do continente nunca cessou. Tanto o Exército de Liberação Nacional (ELN), como o Exército Popular de Liberação (EPL) não deixaram as armas, assim como o aparato repressivo do Estado, o narcotráfico e as forças paramilitares nunca deixaram de gerar vítimas.

Entre janeiro de 2016 e julho de 2019 foram assassinados 734 líderes sociais, segundo o Instituto de Desenvolvimento da Paz (INDEPAZ), sendo 137 ex-guerrilheiros – e a maior parte dos crimes segue sem resposta.

Para o líder do partido FARC, Ilich Rojas, o motivo principal é a volta de governos do partido Centro Democrático. “O conflito na Colômbia se mantém porque as causas do conflito seguem latentes. Eles querem que o conflito siga porque a guerra é funcional aos seus interesses, eles se converteram em multimilionários a partir do conflito. Com o roubo de terras dos camponeses, o sangue e fogo, com ajuda dos grupos paramilitares, tornaram-se grandes latifundiários”, afirma.

Iván Duque, presidente colombiano, além de aumentar a militarização do país para controlar o avanço de setores da esquerda, também utiliza o aparato militar para organizar uma ofensiva contra o governo de Nicolás Maduro.

Para o presidente do Movimento Continental Bolivariano, Narciso Isa Conde o avanço de governos de extrema direita no continente é uma tática das grandes potências econômicas mundiais para derrotar experiências progressistas. “O imperialismo evidentemente ataca tudo que represente a autodeterminação, tudo que implica o fim do seu controle em algum lugar. Estamos numa espécie de quarta onda progressista, que tem recebido uma contra ofensiva muito forte dos Estados Unidos”, analisa.

Narciso Isa Conde, presidente do Movimento Continental Bolivariano. Foto: Michele de Mello/Brasil de Fato.

Se a ameaça de agressão armada é recente na América Latina, em outras latitudes a ofensiva é constante. “No Oriente Médio nos mandaram há 11 anos uma Primavera Árabe que nos custou até agora cerca de cinco milhões de mortos. Esses são exemplos para América Latina e o mundo de que esse inimigo não tem outra linguagem senão a força”, garante o membro da Frente de Liberação da Palestina, Abel Aboer.

O movimento noticiado como uma insurgência popular pelos grandes meios de comunicação, na verdade, culminou em cinco anos de guerra na Líbia, com 24 mil mortos, 4 mil desaparecidos e uma economia totalmente debilitada, sem um governo unificado nacionalmente e subordinado à Organização do Atlântico Norte (OTAN) – braço militar das maiores potências econômicas do mundo.

Além de oito anos de guerra na Síria, que ainda sofre com a ocupação do seu território por grupos armados, com 4,9 milhões de sírios em situação de refúgio em outros países e outros 6,3 milhões refugiados internos, segundo a Agência de Refugiados da ONU (ACNUR).

“Paradoxalmente o Estado mais terrorista da atualidade é o que mais se esconde atrás da luta contra o terrorismo”, afirma Isa Conde.

Além disso, a Palestina, que há mais de 70 anos sofre com a perda do seu território, bloqueio econômico, restrição de direitos civis e violência promovida por Israel, possui um terço de toda a população refugiada no mundo e 57% da população que ainda habita território palestino sofre com insegurança alimentar.

“Colocam químicos na água que temos acesso para gerar infertilidade nas mulheres palestinas. Queimam nossas plantações, dificultam a vida do palestino na sua própria terra para obrigá-lo a viver refugiado. Mas nós preferimos comer terra na nossa pátria do que escolher o caminho do refúgio. Essa pátria é nossa e a defenderemos com tudo”, relata Isak Khury, quem também é membro da Frente pela Liberação da Palestina.

Abel Aboer e Isak Khury. Foto: Michele de Mello/Brasil de Fato

O método de assédio mais recente são demolições forçadas de casas de palestinos. Em Jerusalém e na Cisjordânia, centenas de pessoas são expulsas das suas casas, que logo são derrubadas pelo exército de Israel. No lugar, o governo do primeiro ministro Benjamin Netanyahu pretende construir assentamentos israelenses.

“Essas ações mostram a natureza fascista de Israel; acreditam que são os donos do mundo. Eles podem demolir nossas casas, mas não podem demolir nossa vontade de seguir lutando e de construir não só novas casas, mas reconstruir nossa Pátria”, garante Khury.

Guerra judicial 

Outra tática de derrubada de governos progressistas no mundo, aplicada em distintos continentes, é o uso da justiça como meio de perseguição política, a chamada lawfare.

“O período do Apartheid foi um dos mais corruptos da história da África do Sul. A luta contra a corrupção é muito seletiva. O julgamento do ex-presidente Jacob Zuma [CNA] é o mais longo da história do país, já dura 16 anos. Custou milhões ao governo e ele também gastou milhões para defender-se. No entanto, o processo segue sem ter nenhuma condenação”, conta o militante do Congresso Nacional Africano, Thinta Cibane.

 Thinta Cibane, do Congresso Nacional Africano, da África do Sul. | Foto: Michele de Mello/Brasil de Fato

A concentração da riqueza é alta na África do Sul. Apenas 10% da população, de maioria branca, controla 85% da economia. Enquanto os 10% mais pobres, geralmente jovens negros, movimentam 5% da economia.

“A realidade é que eles conseguem continuar com essa política porque têm muito mais poder econômico. Eles são donos dos meios de produção e dos meios de comunicação. A solução é redistribuir o poder no nosso país para permitir igualdade de condições até mesmo quando falamos dos nossos problemas”, defende Cibane.

BRICS: uma alternativa econômica 

Pensando na redistribuição do poder econômico e na construção de um mundo multipolar, as chamadas “potências emergentes” fundaram, em 2006, os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) como um bloco de cooperação econômica. Além de criar um banco, o grupo buscava priorizar o intercâmbio comercial mútuo, com uso das moedas nacionais para fomentar o crescimento dessas nações.

Atualmente, a presidência do BRICS está nas mãos do governo brasileiro, que mais de uma vez, demonstrou interesse em fragilizar a iniciativa, prometendo uma “revolução na política externa brasileira”.

Para o militante do Congresso Nacional Africano, a situação é preocupante. “Os BRICS foram criados como instituição capaz de nos afastar do ocidente, do Fundo Monetário Internacional, que nos impõe ajustes e que quer continuar ditando o ritmo da economia dos nossos países. Os BRICS era a via para nos liberarmos. Nós estamos preocupados com a mudança de regime no Brasil, porque isso nos afasta do que estávamos tentando construir. E é isso que o ocidente tenta fazer em cada um dos nossos países, afastar-nos da integração, usando distintos instrumentos”, afirma.

A análise do enfraquecimento do bloco é compartilhada pela delegação chinesa no Foro de São Paulo. Segundo, Wang Yuli, representante de política internacional do Partido Comunista Chinês (PCCh), a administração de Xi Jinping continuará trabalhando para fortalecer iniciativas regionais.

“O sonho chinês é que a civilização chinesa e mundial que se compreendam e coexistam, desenvolvam suas nações de uma forma pacífica e cooperem sob o princípio ganhar – ganhar. Esse também é um sonho dos ideais pluralistas para a nossa humanidade”, afirma Yuli.

Unidade entre os povos para superar o conservadorismo

Integração e unidade das organizações de esquerda como via para a construção de um mundo de paz e respeito à democracia é uma das conclusões do Foro de São Paulo.

“Apesar de tomar novamente governos de países latino-americanos, os governos de direita não conseguem estancar a crise. O desafio é fazer predominar uma corrente transformadora com forte conteúdo anti-imperialista e anticapitalista. Eu acho que já existem as condições para isso, porque as pessoas provaram o progressismo e nós nunca partimos do zero” analisa o líder do Movimento Continental Bolivariano, Narciso Isa Conde.

Para as FARC, o Foro é o lugar adequado para a acumulação de forças no campo da esquerda. “É um dos espaços mais bonitos dos povos revolucionários do mundo, de todos que acreditamos que é possível ter um planeta distinto ao que o capitalismo nos oferece e que leva a nossa extinção. Esse é um espaço para nos encontrarmos, para estabelecer laços de afeto, de cooperação orgânica com os revolucionários do mundo”, conclui Ilich Rojas.

Edição: Daniela Stefano

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