POR REFORMA DA PREVIDÊNCIA, BOLSONARO APOSTA TUDO NA ‘VELHA POLÍTICA’, DIZ ANALISTA

POR REFORMA DA PREVIDÊNCIA, BOLSONARO APOSTA TUDO NA 'VELHA POLÍTICA', DIZ ANALISTA

 

Presidente Jair Bolsonaro negocia com partidos e, com a ajuda de Rodrigo Maia e tucano Samuel Moreira em comissão especial, tenta superar fragilidade política e conseguir apoio para tentar maioria de três quintos

Eduardo Moretti, da RBA – Depois da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019, a “reforma” da Previdência, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se apressou na tramitação da proposta e já anunciou Marcelo Ramos (PR-AM) como presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência e Samuel Moreira (PSDB-SP) como relator.

A celeridade de Maia e a presença do tucano na relatoria deixam claro que a principal aposta do politicamente frágil governo Jair Bolsonaro passa a ser o apoio dos setores neoliberais e lideranças político-partidárias importantes. E que a PEC da Previdência une a direita e a centro-direita do Congresso. Bolsonaro, enfim, abandona a “nova política”.

“Em parte o PSDB, o PR e outros de direita e centro-direita apoiam porque a reforma tem diretrizes programáticas, pró-mercado, menos Estado para dar conta das questões sociais. Tudo isso faz esses partidos programaticamente apoiarem”, diz a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, da Universidade Federal de São Carlos.

Mas a vitória final do governo – a aprovação da reforma no Plenário, o que exige quórum de três quintos dos deputados – ainda está distante, até porque Bolsonaro hoje não tem maioria tão significativa. “Agora ele vai tentar atrair o Centrão para seu campo de influência”, diz a analista. Para ela, a oscilação de grupos como o Centrão mostra que o governo ainda não tem consistência parlamentar.

Depois de mais de três meses de governo, Bolsonaro agora já usa todos os meios políticos disponíveis na “velha política”, que ele combateu na campanha e nos primeiros meses de governo. Emblema disso é o próprio fato de que ele oferece R$ 40 milhões em emendas parlamentares – o que é jurídica e politicamente legítimo – para os deputados que votarem a favor da reforma.

Mas Bolsonaro não combateu a “velha política” apenas como discurso de campanha. “Na verdade, para mim, com essa proposta de ‘nova política’, o que ele não queria era dividir poder. Não é à toa que organizou um governo com setores desvinculados de partidos, com militares, o grupo dos economistas, os liberais”, avalia Maria do Socorro.

No contexto atual, para ela, a esquerda e a centro-esquerda não podem mais perder tempo. “As oposições vão ter que se reorganizar, porque não podem contar com o Centrão, como contaram em alguns momentos em que as derrotas (do governo) vieram (na CCJ). Mas essa oscilação de grupos como o Centrão mostra que o governo ainda não tem consistência parlamentar.”

Bolsonaro se rendeu explicitamente à “velha política” – o que ele disse que não ia praticar – para fazer andar a PEC da Previdência na Câmara. O que diz dessa contradição?

A estratégia que ele utiliza agora tem a ver com a dificuldade em fazer coalizão. Ele construiu uma narrativa usando o fato de a população avaliar a classe política muito negativamente. Se elegeu com essa narrativa de que era a nova política: “não vamos mais negociar dessa forma”. Só que ele mistura tudo e tentou dar conta daquilo com que parte do eleitorado se sentia mais preocupada e desencorajada pela política.

Tentando se descolar da realidade que acusa de ser “velha política”…

Só que ele mistura as esferas, porque a gente sabe que fazer política em qualquer sistema requer negociações. Deve ter pensado no tal “estelionato eleitoral”. “Eu disse uma coisa e agora vou fazer outra”? Então ele manteve a mesma narrativa até recentemente. Na verdade, para mim, com essa proposta de “nova política”, o que ele não queria era dividir poder. Não é à toa que organizou um governo com setores desvinculados de partidos, os militares, o grupo dos economistas, os liberais. Mas também tem os políticos, tanto que o DEM vai apoiar, assim como parte do PSDB, o PR.

Uma coisa é a narrativa de disputa eleitoral, outra é a governabilidade. Nessa nova fase ele já sabe que, se não faz as alianças, não vai dar em nada. E não é algo pejorativo, isso é política. O que é política senão negociação?. Ele está vendo que precisa do Legislativo e de uma maioria. Essa ideia de nova e velha política não faz sentido. Parece vir de uma pessoa que não conhece o sistema político brasileiro, como se dá uma negociação.

Embora tenha sido deputado por quase 30 anos…

Mas como ele era do baixo clero, parece que ficou fazendo outras coisas, ou foi no fluxo do que se decidia no grupo dele. Mas nunca participou de nenhum grande partido, fazia parte de uma maioria de políticos que compunha o baixo clero, que são satélites de outras lideranças. Agora ele vai tentar atrair o Centrão para seu campo de influência. Mas não só, porque o PSDB e o PR já aceitaram os cargos na comissão especial da Previdência. Não é à toa que estão aí. Há os interesses da ala liberal e dos economistas do governo.

E esses apoios, como do PSDB, mostram a importância da reforma da Previdência para o governo e esses grupos neoliberais… Tanto que estão se unindo.

Pelo menos boa parte do PSDB. Não sei até que ponto o PSDB vai inteiro. Mas a tendência é apoiar a reforma. Talvez façam mudanças que aliviem em algum setor, mas a tendência dos partidos de direita e centro-direita é apoiar.

O presidente começou negociações no varejo, atendendo individualmente as lideranças por mais de três semanas e agora, a partir do acordo a que chegaram sobre a reforma da Previdência, essa base deve dar sustentação a outros projetos, como o do “anticrime” do Ministro da Justiça.

Sobre a negociação como aspecto natural da política, à qual Bolsonaro aderiu, qual o limiar entre esse tipo de negociação e o fisiologismo, o toma lá, dá cá?

O Executivo tem suas prerrogativas, concentração de poder muito grande, e pode lidar com essa troca por cargos. Hoje tem uma legislação que, bem ou mal, organizou melhor essa questão da distribuição das emendas. A própria Dilma tentou segurar isso, o que causou um certo mal estar na classe política. Mas onde é esse limiar? Quando entra dinheiro é complicado, mas dinheiro do ponto de vista de compra mesmo, para fazer passar certas emendas ou projetos. O que acontece hoje é que o Bolsonaro não tem partidos que lhe deem maioria. Ele não colocou os partidos nos ministérios para governar com ele. Como não fez isso, tentou negociar o segundo escalão.

Agora tem que fazer essas negociações no varejo. O que pode se transformar em fisiológico são trocas por outras vantagens que não sejam as que estão dentro do métier, digamos assim. O que vem sendo negociado são cargos, emendas e prerrogativas de que o governo pode lançar mão, o que está na legislação e não significa que seja fisiologismo, mas significa que, por conta do início do governo, ele vai ter que buscar formas de ter maioria. Se entrarem moedas de troca que não sejam as que já vêm sendo negociadas, aí começamos a ter problemas de fisiologismo. Mas por enquanto não me parece que ele chegou a esse limiar. O que a gente pode dizer é que não dá mais para ele defender que tenha uma nova política no país. Não tem.

Ou seja, ele teve que se render porque reconhece que o governo é fraco politicamente…

Exatamente, e o que ele vai alegar para o eleitor “de raiz” é que a classe política não ajuda se ele não “trocar”, não “negociar”. Ele ainda tem algo a dizer a esse eleitorado. Tanto que, pelas pesquisas, 51% das pessoas aprovam “a maneira de governar” dele e 35% aprovam o governo. Depois de tudo isso que a gente já acompanhou até hoje, é de surpreender. A pesquisa é amostra, a gente não sabe mito bem os detalhes das abordagens, mas, de todo modo, aponta que ele ainda tem um apoio considerável. Ele está se fiando também nisso.

A reforma da Previdência está caminhando nas comissões, mas ele conseguirá 3/5 do Plenário para aprovar?

Por enquanto a gente sabe que não tem esses votos, ainda é muito frágil essa base e ele vai ter que negociar muito mais para ter consistência, ter esses 3/5. As oposições vão ter que se reorganizar, porque não podem contar com o Centrão, como contaram em alguns momentos em que as derrotas (do governo) vieram. Mas essa oscilação de grupos como o Centrão mostra que o governo não tem consistência parlamentar.

Vamos ver a partir de agora, com a criação da comissão especial. Quanto mais apoio o governo tiver para passar mais rapidamente, no prazo que tinham no horizonte, maior a tendência de terem essa base.

Se eles conseguirem uma maioria muito rápido, significa que o governo conseguiu se reorganizar, o que não parecia que ia acontecer até duas semanas, talvez uma semana atrás. É muito importante que a oposição se reorganize o mais rápido possível, porque está fragmentada, o que ajuda muito o governo.

Mas a oposição não atuou unida na CCJ para votar a Previdência?

Ali sim, mas até o Centrão se uniu a ela numa certa fase. Vamos ver agora, que o governo começa a se utilizar de todos os recursos. Em parte o PSDB, o PR e outros de direita e centro-direita apoiam porque a reforma tem diretrizes programáticas, pró-mercado, menos presença do Estado nas questões sociais. Tudo isso faz esses partidos programaticamente apoiarem. Pelo menos em relação à reforma da Previdência, há consenso entre eles.

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FLÁVIO DINO REAGE AO OBSCURANTISMO DE BOLSONARO E DIZ QUE MANTERÁ FILOSOFIA E SOCIOLOGIA

FLÁVIO DINO REAGE AO OBSCURANTISMO DE BOLSONARO E DIZ QUE MANTERÁ FILOSOFIA E SOCIOLOGIA

“No âmbito estadual, sempre manterei o respeito aos cursos de filosofia e sociologia. Sem ideias e pensamento crítico nenhuma sociedade se desenvolve de verdade. E não haverá o bem viver que tanto buscamos como direito de todos”, anunciou o governador do Maranhão, em reação ao ataque feito por Bolsonaro e pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, aos cursos de Humanas de universidades

247 – O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), reagiu ao ataque feito nesta manhã pelo presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, aos cursos de Humanas de universidades do Brasil. Bolsonaro afirmou que descentralizará investimentos em cursos que segundo ele “não geram recursos para o contribuinte” e focará em cursos como Veterinária, Engenharia e Medicina, que teriam “retorno imediato”.

“No âmbito estadual, sempre manterei o respeito aos cursos de filosofia e sociologia. Sem ideias e pensamento crítico nenhuma sociedade se desenvolve de verdade. E não haverá o bem viver que tanto buscamos como direito de todos”, anunciou Flávio Dino em sua conta no Twitter.

DINO: SE MATEMÁTICA NÃO MUDOU, LULA DEVERIA SER SOLTO AMANHÃ

DINO: SE MATEMÁTICA NÃO MUDOU, LULA DEVERIA SER SOLTO AMANHÃ

Para o governador do Maranhão, Flávio Dino, “por uma razão prática, o Lula tem que ser solto juridicamente amanhã, na minha avaliação. Não é em setembro. O presidente Lula já cumpriu 13 meses. Se são 8 anos e 10 meses e se lá, nesse juízo de exceção paranaense, não mudaram a matemática – porque até isso periga – 8 anos e 10 meses, menos os 13 meses, a pena fica abaixo de 8”; Para Dino, que e especialista em Direito Constitucional, com a revisão da pena pelo STJ, Lula passa a ter direito subjetivo ao regime semiaberto

Rede Brasil Atual – “Direito penal não é o direito da punição, mas o direito da liberdade.” Assim o governador do Maranhão, Flávio Dino, que foi juiz por 12 anos e é especialista em Direito Constitucional. Em sua participação no Seminário sobre Medidas Penais, nesta quinta-feira (25), em Brasília, Dino afirmou que seria dever do Superior Tribunal de Justiça (STJ) fazer uma “revaloração dos fatos e provas” e argumentou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria ser solto imediatamente.

“Por uma razão prática, o Lula tem que ser solto juridicamente amanhã, na minha avaliação. Não é em setembro. O presidente Lula já cumpriu 13 meses. Se são 8 anos e 10 meses e se lá, nesse juízo de exceção paranaense, não mudaram a matemática – porque até isso periga – 8 anos e 10 meses, menos os 13 meses, a pena fica abaixo de 8”, explicou o governador. Na realidade, Lula completa nesta sexta-feira 12 meses e 20 dias de cumprimento de pena.

Segundo Dino, ficando a pena restante abaixo de oito anos, “segundo os precedentes do próprio STJ”, Lula passa a ter direito subjetivo ao regime semiaberto, não por progressão de regime.

No evento que analisa mudanças na legislação pretendidas pelo chamado “pacote anticrime” apresentado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, o governador afirmou que a primeira contradição a ser enfrentada no caso Lula é o conflito com o Direito Penal.

Quando se fala em medidas penais, logo se pensa em prisão, punição e castigo, observa o governador. “Nessa caso, seriam admitidas torturas, provas ilícitas para ter maior eficiência, admitir qualquer meio para atingir os fins. O objetivo do processo penal é proteger a liberdade, garantir a máxima eficácia preventiva com o mínimo sacrifício à liberdade.” Segundo o jurista, isso é milenar e reflete a limitação do poder do Estado sobre a liberdade individual.

A Constituição de 1988, lembra Dino, foi nessa direção, como “filha direta da luta democrática contra a ditadura”. Fez alguns trânsitos teóricos muito relevantes e colocou as garantias individuais no artigo 5º, com 78 incisos. Exatamente para dizer: aqui está esfera sagrada do patrimônio jurídico dos direitos subjetivos de cada cidadão sobre os quais o Estado não pode se imiscuir. Lá está a presunção da inocência, que diz que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória.

Essa regra foi praticada no Brasil desde 1988 e as únicas exceções seriam as previstas na própria Constituição, como o flagrante delito. Executar a pena só após todos os recursos cabíveis, o que não foi respeitado na prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Haddad

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad também defendeu que providências jurídicas sejam tomadas ainda hoje para garantir a liberdade imediata do ex-presidente Lula, que garantiria “alívio” a expressiva parcela da sociedade brasileira que não se conforma com as arbitrariedades cometidas nesse processo. Ele diz que sempre considerou Moro como um “quadro político”, pois, desde o início estava imbuído de um projeto político, a incriminação do ex-presidente.

“Não vi em nenhum momento qualquer ânimo de se fazer justiça e perseguir a verdade. Qualquer ânimo de saber exatamente o que aconteceu e qual seria a suposta responsabilidade do presidente sobre qualquer ato de governo. O que tinha que se provar é que atos do ex-presidente Lula contrariavam o interesse público e, em função disso, teria recebido benefício material.”

Ele diz que nem os supostos atos cometidos por Lula nem o recebimento de benefícios restaram comprovados no processo, lembrando que Moro utilizou o termo “atos indeterminados”, um “eufemismo”, segundo Haddad, para estabelecer a culpa não comprovada do ex-presidente.

Para Haddad, esse tipo de arbítrio jurídico cometido contra Lula, também presente nas medidas propostas no seu “pacote anticrime” fazem parte de um contexto geral mais amplo, relacionado à crise do capitalismo de 2008, que necessita do aumento da repressão e da capacidade punitiva do Estado para combater o “caos” criado desde então. Outro resultado político da crise é enfraquecimento das forças democráticas de centro e o fortalecimento da extrema-direita, em todo o mundo.

Presunção de culpa

A jurista Carol Proner, integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, também destacou o papel de “excepcionalidade democrática” em todo o mundo e de reforço do “punitivismo”. Segundo ela, o pacote de Moro, se aprovado, acaba com o princípio da presunção de inocência e fomenta a criminalidade, já que uma das consequências diretas será o aumento da população carcerária, onde o crime organizado arregimenta seus integrantes.

“Do ponto de vista da presunção da inocência, é um ataque a própria condição de inocência, ampliando o poder punitivo do Estado, considerando aquele que interage com as forças do Estado um criminoso ou culpado a priori”, afirmou. Ela acrescenta que “Qualquer sistema de direito penal que respeite os direitos humanos, parte do princípio da presunção de inocência. A inversão é uma quebra paradigmática do direito.”

O cumprimento da pena de prisão após condenação por órgão colegiado e a redução de pena ou até a absolvição de policial que cometer homicídio, em atividade ou de folga, decorrer de “escusável (isto é: compreensível, desculpável) medo, surpresa ou violenta emoção” foram pontos do projeto de Moro citados pela jurista que corroboram para o inversão do princípio da presunção de inocência. “É uma obsessão do governo Bolsonaro. Que acredita que os integrantes das forças de segurança não podem sentar no banco dos reús e que bandido bom é bandido morto, e flerta com uma política neo-fascista.”

FLORESTAN FERNANDES E MÔNICA BERGAMO: PASSAMOS POR TODOS OS TEMAS COM LULA

FLORESTAN FERNANDES E MÔNICA BERGAMO: PASSAMOS POR TODOS OS TEMAS COM LULA

Jornalistas do El País e Folha de S.Paulo entrevistaram o ex-presidente Lula na manhã desta sexta-feira 26 disseram ter sido bem recebidos na sede da Polícia Federal, disseram que Lula “estava bem” e que conversou com eles sobre política nacional, internacional, governo Bolsonaro; o vídeo irá ao ar nos dois veículos ainda hoje

247 – Os jornalistas Florestan Fernandes Jr., do El País, e Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, entrevistaram o ex-presidente Lula na manhã desta sexta-feira 26 na sede da Polícia Federal em Curitiba. Em frente à prisão de Lula, eles relataram terem sido bem recebidos no local e tiveram tempo suficiente para conversar com Lula, cerca de duas horas.

Mônica afirmou que Lula “estava bem” e que puderam conversar com o ex-presidente “sobre política nacional, internacional, governo Bolsonaro, enfim, passeamos por todos os temas”. Ela informou ainda que haverá vídeo da entrevista, a ser publicado ainda nesta sexta nos dois veículos.

Eles evitaram comentar a tentativa da PF de criar um circo na entrevista nesta quinta, derrotada pelo STF. Mas Florestan assegurou que “em vários anos, em décadas de carreira”, nunca viu nada parecido.

BOLSONARO ANUNCIA ATAQUE ÀS UNIVERSIDADES E AOS CURSOS DE HUMANAS

BOLSONARO ANUNCIA ATAQUE ÀS UNIVERSIDADES E AOS CURSOS DE HUMANAS

Um dia depois de agredir negros e homossexuais, com o veto à campanha publicitária do Banco do Brasil, Jair Bolsonaro anunciou um ataque aos cursos de filosofia e sociologia, alegando que “não geram recursos para o contribuinte”; de acordo com o presidente, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, “estuda descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia (humanas)”; “Alunos já matriculados não serão afetados. O objetivo é focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina”, afirmou

247- Após vetar uma campanha publicitária do Banco do Brasil com atores e atrizes negros, o presidente Jair Bolsonaro informou no Twitter que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, “estuda descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia (humanas)”.

“Alunos já matriculados não serão afetados. O objetivo é focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina”, afirmou o chefe do Planalto. “A função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta”, acrescentou.

Ligado ao mercado financeiro, Weintraub já havia dito antes de ocupar o cargo que era necessário adaptar as teorias do escritor Olavo de Carvalho para “derrotar a esquerda”. Sem experiência em gestão de politicas educacionais, o atual titular do MEC trabalhou 18 de seus 47 anos no Banco Votorantim, onde foi de office-boy a economista-chefe e diretor. Foi demitido e seguiu para a Quest Corretora. Depois tornou-se professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O anúncio de Bolsonaro reflete mais uma tentativa do governo de guiar a educação brasileira pelo atrofiamento do senso crítico dos estudantes usando como argumento a necessidade de se adequar às exigências do mercado. O fato é que em quatro meses de governo a gestão educacional não apresentou proposta alguma de abrangência nacional para melhorar os índices da educação brasileira.

HADDAD: MILITARES ENTRARAM NUMA FRIA AO AVALIZAR BOLSONARO

HADDAD: MILITARES ENTRARAM NUMA FRIA AO AVALIZAR BOLSONARO

O ex-presidenciável Fernando Haddad (PT) criticou as desavenças entre o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e o vice-presidente da República, Hamilton Mourão; “No Twitter, o presidente, os filhos, 1 escondendo senha do outro, uma molecagem com o vice-presidente. Eu acho que os militares entraram numa fria ao avalizar uma pessoa que nem pro Exército serviu”, afirmou

247 – O ex-presidenciável Fernando Haddad, 56 anos, criticou as desavenças entre o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e o vice-presidente da República, Hamilton Mourão.

“No Twitter, o presidente, os filhos, 1 escondendo senha do outro, uma molecagem com o vice-presidente. Eu acho que os militares entraram numa fria ao avalizar uma pessoa que nem pro Exército serviu”, afirmou Haddad em entrevista ao Poder360.

De acordo com ex-prefeito de São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro não tem preparo para o cargo. “Nós temos que torcer para ele incorporar alguém que tenha estatura mínima e exercer a Presidência da República. Todos os dias os brasileiros rezam com isso. Para que caia a ficha de onde ele está, para que ele se porte com o mínimo de dignidade na condução dos assuntos nacionais”, disse.

O aparente protagonismo de Mourão no governo estaria incomodando o presidente. O colunista Lauro Jardim também havia divulgado nota dizendo que Jair Bolsonaro estaria estimulando ataques de aliados ao vice. O principal expoente dos ataques é o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSL), filho do presidente. Nesta semana, por exemplo, o parlamentar referiu-se ao general como “tal de Mourão” e “queridinho da imprensa”.

Haddad criticou também o fato de Bolsonaro ter vetado uma propaganda do Banco do Brasil. “O presidente da República vetou uma propaganda do Banco do Brasil porque discordou da presença de negros no comercial. Como se o presidente tivesse atribuição de censurar publicidade das empresas”.

MAJOR OLÍMPIO, LÍDER DO PSL, DÁ CARGO DE R$ 11 MIL PARA EX-PM CONDENADO POR TORTURA

MAJOR OLÍMPIO, LÍDER DO PSL, DÁ CARGO DE R$ 11 MIL PARA EX-PM CONDENADO POR TORTURA

Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados

O senador afirma que o cargo é também uma maneira de compensar uma “grande injustiça” que, para ele, foi feita contra o ex-PM

O senador Major Olímpio (PSL-SP) nomeou como assessor parlamentar Carlos Alberto Ires de Jesus, um ex-soldado que foi condenado, em 2002, por tortura, cumpriu pena e acabou expulso da corporação.

Major Olímpio, que fez carreira na Polícia Militar paulista e é aliado do presidente Jair Bolsonaro, afirma que o cargo é também uma maneira de compensar uma “grande injustiça” que, para ele, foi feita contra o ex-PM.

Como assessor parlamentar júnior do gabinete de Major Olímpio Jesus ganha agora salário bruto de R$ 11.471,87 e trabalha no escritório político de São Paulo —segundo o parlamentar, fazendo a interlocução com eleitores.

Entre 2008 e 2012, ele também trabalhou como segurança parlamentar de Olímpio, que tinha mandato como deputado estadual.

O ex-soldado foi condenado em 2002, após ser acusado de ter torturado duas pessoas em uma base comunitária da PM no Jardim Ranieri, zona sul da capital paulista. Sua pena foi de oito anos e cinco meses de prisão. Ele perdeu o cargo devido ao crime de tortura qualificada e lesões corporais gravíssimas.

Jesus e o tenente da PM Paulo Sérgio dos Santos, condenado a nove anos e oito meses de reclusão, foram acusados de torturar o padeiro Marcelo Costa Pereira, que perdeu a mobilidade do braço esquerdo, e André Ricardo Bispo.

Os então PMs buscavam das vítimas a confissão de que seriam os responsáveis pela morte de um policial militar. Em vez do distrito policial, os dois jovens foram levados para o prédio da base comunitária da PM, onde acabaram sendo torturados por horas.

As vítimas receberam socos e pontapés e foram asfixiadas com sacos plásticos de lixo sobre suas cabeças. Marcelo teve ligados aos anéis que usava dois polos de fios elétricos. Os choques geraram queimaduras e fizeram com que a vítima perdesse o dedo anular da mão esquerda.

Com informações da Folha

OLAVO AGORA ATACA O PRÓPRIO BOLSONARO

OLAVO AGORA ATACA O PRÓPRIO BOLSONARO

Depois de atirar contra os militares, contra Mourão, contra ministros do governo, o guru agora se volta contra o discípulo. Olavo de Carvalho publicou em seu perfil no Facebook nesta quarta um ataque sutil contra Jair Bolsonaro; ele agradeceu, em tom irônico, “a chance que o senhor me deu de ser o seu boi-de-piranha”, em referência à nota de Bolsonaro, contra os ataques do “guru” ao vice Hamilton Mourão e aos militares; na nota, o presidente afirmara que as declarações de Olavo “não contribuem” para o “projeto de governo”.

247 – Depois de atirar contra os militares, contra Mourão, contra ministros do governo, o guru agora se volta contra o discípulo. Olavo de Carvalho publicou em seu perfil no Facebook nesta quarta (24) um ataque sutil contra Jair Bolsonaro. Ele agradeceu, em tom irônico, “a chance que o senhor me deu de ser o seu boi-de-piranha”, em referência à nota de Bolsonaro, contra os ataques do “guru” ao vice Hamilton Mourão e aos militares. Na manifestação, o presidente afirmara que as declarações de Olavo “não contribuem” para o “projeto de governo”.

Sem fazer menção direta à nota, Olavo afirma que Bolsonaro deixa nas suas costas “pelo menos metade das pancadas que lhe eram dirigidas e em seguida sendo acusado de ter o comportamento divisionista que de fato é o do seu querido vice-presidente”.

Olavo publicou em seus perfis de rede social uma série de ataques contra Mourão, abrindo uma crise com os militares no governo. Mourão reagiu a um dos ataques, dizendo que Olavo deveria se limitar à função de “astrólogo”. O guru tem tido apoio dos filhos Carlos e Eduardo Bolsonaro, que também atacam seguidamente o vice-presidente.

ITÁLIA: POLÍCIA IDENTIFICA TORCEDORES QUE HOMENAGEARAM MUSSOLINI

ITÁLIA: POLÍCIA IDENTIFICA TORCEDORES QUE HOMENAGEARAM MUSSOLINI

Ansa

As autoridades italianas identificaram pelo menos oito de cerca de 29 torcedores organizados da Lazio que participaram de um ato neofascista, no qual uma faixa que fazia apologia a Benito Mussolini foi estendida em uma praça de Milão. O caso está sendo investigado pela Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais (Digos) da polícia italiana, comandado pelo procurador Alberto Nobili, responsável pela seção antiterrorismo do Ministério Público de Milão. Ontem(24), por volta de 14h (horário local), cerca de 50 torcedores abriram uma faixa com os dizeres “Honra a Benito Mussolini” e a assinatura “Irr”, abreviação de “Irriducibili”, nome da principal e mais agressiva torcida organizada da Lazio. O episódio ocorreu na Praça Loreto, símbolo da Resistência Italiana por ter sido o local onde o corpo de Mussolini foi exposto de cabeça para baixo após sua execução, em 1945.

De acordo com as autoridades, entre os torcedores está Claudio Corbolotti, um dos líderes da organizada. Além disso, há suspeitas de que representantes da Inter de Milão também participaram do ato. Todos são investigados por associação criminosa. Nobili, em concordância com o promotor Francesco Greco, abriu também uma investigação sobre outros ato fascista, como um incêndio em um monumento localizado na via Palmieri, em Milão.

(ANSA)

SOBRINHO DE JAIR BOLSONARO GANHA CARGO DE CONFIANÇA NO SENADO

SOBRINHO DE JAIR BOLSONARO GANHA CARGO DE CONFIANÇA NO SENADO
(foto: Reprodução/Internet)

O sobrinho do presidente nunca assumiu cargo no Planalto, mas mesmo assim era comum vê-lo em reuniões internas e agendas externas de Bolsonaro. Pela nomeação, vai receber R$ 14.802,41

“Leo Índio”, primo dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, ganhou um cargo de confiança no Senado. Leonardo Rodrigues de Jesus foi nomeado no posto de assessor parlamentar do senador Chico Rodrigues (DEM-RR). Pela nomeação, vai receber R$ 14.802,41.

O novo comissionado do Senado ficou conhecido pelo livre trânsito que tem no Palácio do Planalto. Muito próximo do “02”, o vereador Carlos Bolsonaro, com quem morou no Rio, “Leo Índio” esteve no Planalto 58 vezes só nos primeiros 45 dias de governo.

O sobrinho do presidente nunca assumiu cargo no Planalto, mas mesmo assim era comum vê-lo em reuniões internas e agendas externas de Bolsonaro. O jornal O Estado de S. Paulo apurou que ele teria participado de pelo menos uma reunião reservada com autoridades envolvidas na reforma da Previdência. Oficialmente, foi a três órgãos internos do Planalto, fora salas e gabinetes por que passou sem anúncio nem registro.

“Léo Índio” também viajou na comitiva da Presidência que foi ao local da tragédia de Brumadinho. Procurado pela reportagem, o assessor não quis se pronunciar.